Embora trocando críticas, Estados Unidos e Irã deram sinais nesta sexta-feira (12) de que podem assinar um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio. A possibilidade surgiu após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que negociadores chegaram a um consenso. O Irã afirmou que nada estava fechado, mas, nesta manhã, o chanceler iraniano disse que um acordo de paz 'nunca esteve tão próximo'. Nenhuma das partes divulgou oficialmente o conteúdo do suposto novo acordo. No entanto, a imprensa norte-americana e iraniana publicaram alguns pontos com base em fontes governamentais.
Detalhes do possível acordo
A rede de TV CNN Internacional, com base em fontes do regime iraniano, informou que o memorando prevê: um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano; a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, sem cobrança de taxas a embarcações, com tráfego voltando aos níveis pré-guerra em 30 dias; o levantamento do bloqueio naval norte-americano na entrada de Ormuz; a flexibilização progressiva de sanções ao Irã; e o compromisso iraniano de não obter armas nucleares.
A agência Reuters ouviu de uma fonte do governo dos EUA que o acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o desmantelamento do programa nuclear iraniano, e que o Irã não receberá dinheiro de ativos congelados até cumprir sua parte. Já a imprensa estatal iraniana divulgou que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio. A agência Mehr afirma que o memorando deve suspender sanções dos EUA, retirar forças militares norte-americanas das proximidades, levantar o bloqueio naval e interromper hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Reações e críticas
Nesta sexta, Trump disse que os detalhes divulgados pela imprensa são falsos e criticou o Irã por vazar informações. Horas após anunciar o acordo, chamou os dirigentes iranianos de 'pessoas muito desonrosas para se negociar. Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!', escreveu em sua rede social Truth Social. Na quinta (11), Trump anunciou que, após dois dias de bombardeios mútuos, EUA e Irã chegaram a um consenso e deveriam assinar um acordo de paz no fim de semana na Europa. O Irã respondeu que ainda não havia batido o martelo.
Contexto dos ataques
Quase um mês após a declaração de cessar-fogo, EUA e Irã voltaram a se confrontar no Estreito de Ormuz. A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar dos EUA durante sobrevoo na região. Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que revidaria. Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa iranianos e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta (10), novos ataques ocorreram, com Teerã lançando mísseis a países do Golfo Pérsico e fechando o Estreito de Ormuz, complicando as conversas de paz.



