O Irã fechou o Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (11) após atingir uma embarcação que transitava pela região, elevando a tensão com os Estados Unidos. A ação iraniana representa uma escalada significativa no conflito que envolve o programa nuclear do país e as sanções internacionais.
Ataque à embarcação e fechamento do estreito
De acordo com a Guarda Revolucionária do Irã, uma embarcação não identificada foi alvo de disparos após ignorar advertências para mudar de rota. O navio teria sido atingido por mísseis, resultando em danos estruturais, mas sem vítimas fatais. Em resposta, o Irã anunciou o fechamento temporário do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O governo iraniano justificou a ação como uma medida de segurança nacional, alegando que a embarcação violava águas territoriais iranianas. No entanto, analistas internacionais apontam que o fechamento do estreito é uma tentativa de pressionar os EUA e seus aliados por flexibilização das sanções econômicas.
Reação dos Estados Unidos e impactos globais
Os EUA condenaram veementemente a ação iraniana. O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, afirmou que "o fechamento do Estreito de Ormuz é uma violação do direito internacional e uma ameaça à segurança energética global". Kirby também anunciou que os EUA estão mobilizando forças navais adicionais para a região do Golfo Pérsico.
O fechamento do estreito já provocou alta de 5% no preço do barril de petróleo, que ultrapassou os US$ 90. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que, se o bloqueio persistir, os estoques globais de petróleo podem ser afetados em até 30 dias, elevando os preços para níveis recordes.
Contexto de tensão e mediação internacional
O incidente ocorre em meio a negociações indiretas entre Irã e EUA sobre o programa nuclear iraniano, mediadas pelo Catar e por Omã. O Irã exige o fim das sanções impostas por Washington, enquanto os EUA pedem garantias de que Teerã não desenvolverá armas nucleares. Analistas consideram que o fechamento do estreito é uma tática de negociação arriscada.
A ONU e a União Europeia pediram moderação e a reabertura imediata do estreito. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir a crise. Até o momento, o Irã não sinalizou quando o estreito será reaberto.



