Hamas anuncia dissolução do governo em Gaza e abre caminho para comitê civil
Hamas dissolve governo de Gaza e abre caminho para comitê civil

O grupo terrorista Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza por quase duas décadas, abrindo caminho para que um comitê tecnocrático palestino assuma a administração civil do território. A medida ocorre em meio a um cenário de guerra, reconstrução atrasada e cerco contínuo.

Renúncia e transição

O chefe do governo ligado ao Hamas, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo nesta manhã, conforme informou Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo grupo em Gaza, durante uma coletiva de imprensa. Apenas funcionários técnicos permanecerão em seus postos para evitar um vácuo administrativo. A decisão visa, segundo Thawabta, "aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar".

Thawabta também pediu que as partes envolvidas agilizem os trâmites para que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) assuma suas funções administrativas definitivamente.

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Contexto de guerra e cessar-fogo

A Faixa de Gaza tem sido administrada pelo Hamas desde 2007, quando o grupo assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. O anúncio ocorre em meio a um cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro de 2025, mas que tem sido violado repetidamente. Nesta segunda-feira, cinco palestinos foram mortos e pelo menos 18 ficaram feridos em ataques israelenses distintos contra deslocados e áreas residenciais no sul de Gaza e na Cidade de Gaza, segundo Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil local. Autoridades de saúde em Gaza informaram que o número de mortos desde o cessar-fogo chegou a 1.072, com 3.463 feridos. No total, desde o início do conflito em outubro de 2023, são 73.098 mortos e 173.571 feridos.

Reações e simbolismo

Em um comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que a medida visa eliminar pretextos para a interferência israelense e reafirmou o compromisso do grupo em transferir todas as responsabilidades de governança em Gaza. No entanto, o cientista político Mkhaimar Abusada classificou a decisão como "simbólica", afirmando à AFP que "o problema não é a dissolução do seu comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento... continua sendo o principal ponto de bloqueio".

O Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump, endossou o anúncio e afirmou que o NCAG deve controlar todas as armas em circulação no território. "O princípio fundamental continua sendo uma única autoridade, uma única lei e uma única arma", declarou o conselho em nota divulgada no X.

Negociações paradas

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel. Contudo, a passagem para a segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está estagnada há meses. Israel descarta o retorno do Hamas ao poder, mas também se opõe, por ora, a que a Autoridade Palestina assuma o controle. Hamas e Israel trocam acusações mútuas de violação do cessar-fogo.

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