O funeral de Ali Khamenei, líder supremo do Irã falecido em fevereiro, terá início em Teerã no dia 4 de julho e será concluído com seu sepultamento na cidade de Mashhad, no nordeste do país, em 9 de julho, conforme informou a mídia estatal iraniana neste sábado (13).
Morte e sucessão
Khamenei morreu durante os ataques israelenses e norte-americanos ao Irã, encerrando mais de três décadas à frente da República Islâmica. Ele foi sucedido por seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que ainda não fez aparições públicas e cujo estado de saúde permanece um mistério.
Trajetória política
Ali Khamenei esteve na linha de frente da Revolução Islâmica de 1979 ao lado do aiatolá Ruhollah Khomeini, que se tornou líder supremo até sua morte em 1989. Nascido em 1939 em Mashhad, Khamenei teve sua formação religiosa e política nos anos 60, envolvendo-se em movimentos contrários ao regime do xá Mohammad Reza Pahlevi. Aproximou-se de Khomeini durante os estudos em Qom e ajudou a organizar e executar missões no Irã.
Em junho de 1981, sobreviveu a um atentado a bomba que paralisou permanentemente seu braço direito. Quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos, cargo que ocupou até a morte de Khomeini, quando a Assembleia de Peritos o escolheu como novo líder supremo.
Estruturas de poder e império financeiro
Especialistas apontam que Khamenei adotou a estratégia de construir e fortalecer estruturas paralelas dentro do Estado, como a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), uma força paralela aos militares tradicionais, para melhor controlar instituições como o Exército e as agências de inteligência. Ao longo dos anos, ampliou sua influência na formulação de políticas e fomentou o culto à sua personalidade.
Em 2018, uma investigação da Reuters revelou que Khamenei controlava um império financeiro avaliado em 95 bilhões de dólares, baseado no confisco de propriedades de iranianos comuns, incluindo minorias. A apuração não encontrou evidências de uso pessoal da fortuna, mas sim para financiar ações políticas. Seu gabinete classificou a reportagem como incorreta.
Repressão e protestos
Durante mais de três décadas no poder, Khamenei enfrentou várias ondas de protestos, todas reprimidas com violência, enquanto mantinha uma política de linha dura em relação aos costumes. Seu governo foi acusado de assassinar opositores exilados e de reprimir jornalistas e intelectuais não alinhados ao regime.
Com informações da Reuters e da AFP.



