A Casa Branca quer que o Irã se comprometa publicamente a não atacar navios no Estreito de Ormuz, após uma escalada de ofensivas que colocou em risco o acordo de paz. Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã neste domingo (12), em resposta a uma ofensiva iraniana contra um navio de contêineres no estreito, que deixou a embarcação em chamas e um tripulante indiano desaparecido.
Sequência de ataques escalou rapidamente
O conflito começou no domingo (12), quando o Irã atacou um navio de contêineres com bandeira do Chipre no Estreito de Ormuz. A embarcação sofreu danos significativos na casa de máquinas, ficou em chamas e um tripulante indiano desapareceu. Outros 23 tripulantes foram resgatados pela autoridade marítima de Omã. O Ministério das Relações Exteriores da Índia confirmou que o desaparecido era um cidadão indiano.
Em resposta, os Estados Unidos lançaram uma primeira ofensiva contra o Irã, atingindo cerca de 140 alvos, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras instalações militares. Teerã reagiu com ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã — países da região que abrigam instalações militares americanas ou têm papel estratégico no tráfego marítimo.
Países do Golfo interceptam ataques iranianos
O Catar informou ter interceptado ataques iranianos, e três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços. O Kuwait relatou danos em três postos de fronteira terrestre no norte do país e em uma plataforma de exploração marítima da Kuwait Oil Company, com um trabalhador ferido. A Jordânia informou que três mísseis iranianos atingiram áreas do país, causando danos leves, mas sem feridos. A agência estatal de notícias de Omã informou que drones atingiram locais próximos à via marítima, um dia após Omã e Irã realizarem negociações sobre o estreito. Omã convocou o embaixador iraniano para protestar, classificando as ações de Teerã como “irresponsáveis”.
Mais tarde no domingo, os Estados Unidos realizaram novos ataques contra o Irã, atingindo sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo uma autoridade americana que falou sob condição de anonimato. Explosões foram registradas em Bandar Abbas e Hajiabad, além de ataques na Ilha de Qeshm.
Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz
Após os novos ataques, o Irã ameaçou ampliar a resposta e afirmou ter fechado o Estreito de Ormuz. O governo iraniano declarou que a passagem permaneceria fechada até a redução das tensões e ameaçou atacar “bases inimigas adicionais” na região. No entanto, os EUA afirmaram que o estreito continuava aberto. O Exército americano informou que mais de 140 navios atravessaram a região na última semana. Uma organização multinacional supervisionada pela Marinha americana afirmou que o tráfego seguia ocorrendo “em níveis reduzidos” tanto próximo a Omã quanto ao Irã.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fornecimento global de petróleo e gás natural, tornou-se o principal ponto de tensão. Antes do conflito, aproximadamente um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo passava pelo local. O controle iraniano sobre a passagem provocou uma crise energética global, embora os preços do petróleo tenham caído significativamente após atingirem máximas de US$ 120 por barril durante o conflito.
Diplomacia em risco
O Irã e os Estados Unidos estão próximos da metade do período de 60 dias estabelecido por um acordo provisório que busca levar a um fim definitivo da guerra. No entanto, Trump afirmou na semana passada que o acordo estava “encerrado”. Apesar disso, mediadores como Paquistão, Catar e Egito continuaram tentando negociar um entendimento. O Paquistão informou que seu ministro das Relações Exteriores conversou por telefone com o principal diplomata iraniano e pediu “redução da escalada” por parte dos dois lados.
“Um retorno a hostilidades em larga escala teria consequências catastróficas”, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em comunicado. O novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou no sábado (11) que os iranianos vingariam a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, nos ataques iniciais do conflito.
“Bombardeamos eles pra valer na noite passada”, afirmou o presidente Donald Trump em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC. Agências de notícias semioficiais do Irã informaram que um oficial da Marinha morreu. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que várias embarcações “ignoraram seus alertas” e desobedeceram instruções para seguir uma rota autorizada, resultando no ataque ao navio.



