O corpo do padre brasileiro Robson Gavioli, de 36 anos, que morreu na Ucrânia após complicações de uma cirurgia no joelho, foi sepultado no fim da tarde desta segunda-feira (15) em Urânia (SP). O corpo chegou ao Brasil no domingo (14) em Guarulhos e foi velado na manhã de segunda-feira em São José do Rio Preto.
Trajeto e homenagens
Após o velório, houve um cortejo fúnebre de 158 quilômetros pela Rodovia Euclides da Cunha (SP-320) entre São José do Rio Preto e Urânia. Missas de corpo presente foram realizadas em Jales e em Rio Preto ao longo do dia.
Últimos dias do padre
O padre Lucas Perozzi, que fez o translado ao Brasil, contou ao g1 como foram os últimos dias de Robson. "Eu, por ser brasileiro, ajudei com todas as burocracias. Eu o conhecia desde os tempos de seminário. O padre que o acompanhou disse que ele comungou, rezaram as vésperas. Depois da comunhão, rezaram o Terço. Ele conversou com seu pai Osni (por chamada de vídeo) e morreu", comentou.
Morte na Ucrânia
O padre Robson servia à Igreja Católica e morava há 14 anos na Ucrânia. Ele havia machucado o joelho enquanto estava em uma missão, levando jovens para subir uma montanha para um momento de oração no país em guerra. Devido à lesão, foi submetido a uma cirurgia considerada simples pelos médicos. No entanto, o sacerdote teve diagnóstico de tromboembolia, que é a obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo que se desprende e viaja pela corrente sanguínea. Em consequência, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu no dia 6 de junho.
Vida religiosa
Robson iniciou sua trajetória como seminarista em São José do Rio Preto, sua cidade natal, e, depois, em 2011, migrou para Brasília (DF). Mais tarde, foi enviado à Ucrânia após um sorteio para formação pelo seminário de Khmelnytskyi, uma das dioceses do país. O padre teve a oportunidade de retornar ao Brasil em 2022, quando o conflito entre Ucrânia e Rússia começou. Porém, o missionário decidiu ficar e acabou ajudando muitos refugiados e vítimas da guerra até seus últimos dias.
"Em Deus não há tempo. Nós conhecemos o tempo porque está na nossa humanidade. O que nos consola nessa manhã é que Cristo venceu a morte. Também um dia estaremos com o Pe. Robson. No lugar da tristeza, possa ser essa a nossa esperança. Podemos sentir a falta desse nosso irmão, mas não cair em desespero", finaliza o padre André Murilo Alves.



