Sinais de El Niño se fortalecem, aponta Inmet; NOAA vê 96% de chance
Sinais de El Niño se fortalecem, aponta Inmet; NOAA vê 96%

Os sinais de formação de um novo episódio de El Niño no Oceano Pacífico estão se fortalecendo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em comunicado divulgado nesta semana, o órgão informou que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 — a principal área de monitoramento do fenômeno, no Pacífico Equatorial central — passou de valores próximos da neutralidade para 0,49 °C acima da média em maio e atingiu 0,7 °C na primeira semana de junho.

"Isso aponta para condições altamente favoráveis à formação e consolidação de um episódio de El Niño nos próximos meses", afirmou o Inmet. O instituto informou que divulgará até o fim desta semana uma nova nota técnica com as informações mais atualizadas sobre a previsão do fenômeno.

Entenda o El Niño e a La Niña

O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global. A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária.

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Projeções da NOAA

O diagnóstico do órgão brasileiro está alinhado ao da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), referência mundial no monitoramento do clima. Em uma atualização divulgada na segunda-feira (8), o Centro de Previsão Climática (CPC) da agência estima ainda em 82% a probabilidade de o El Niño se estabelecer já no trimestre maio-julho de 2026 — e em 96% a chance de que o fenômeno persista até o trimestre dezembro-fevereiro, que corresponde ao verão no Hemisfério Sul.

Os dados semanais mais recentes da NOAA mostram aquecimento em todas as regiões de monitoramento do Pacífico Equatorial. Além dos 0,7 °C acima da média na região Niño 3.4, a anomalia chega a 1 °C na região Niño 3 e a 2,1 °C na região Niño 1+2, mais próxima da costa da América do Sul.

Histórico recente de El Niños

Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado. Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja:

  • 2006–2007: El Niño fraco a moderado.
  • 2009–2010: El Niño moderado.
  • 2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.
  • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.
  • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor.

O que é o El Niño — e por que ele importa tanto

O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global. A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

Possíveis impactos no Brasil

Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:

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  • Aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;
  • Redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;
  • Mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;
  • Maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.