Mudança climática pode extinguir 34% das plantas usadas por indígenas na Amazônia
Mudança climática pode extinguir 34% das plantas indígenas

Um novo estudo publicado na revista científica Nature nesta quarta-feira (08) revela que a mudança climática pode provocar o desaparecimento local de até 34% das plantas utilizadas por povos indígenas da Amazônia entre 2060 e 2080. A perda dessas espécies ameaça práticas essenciais como alimentação, medicina, construção, rituais e outras atividades cotidianas das comunidades tradicionais.

Impacto nos usos e nas línguas indígenas

Segundo as projeções dos pesquisadores, entre 18% e 23% dos usos associados às plantas podem desaparecer nas comunidades analisadas. O estudo também alerta para outro risco grave: a perda das línguas indígenas. Caso os idiomas atualmente ameaçados deixem de ser falados, a Amazônia pode perder 26% do conhecimento documentado sobre as plantas e suas funções.

Metodologia e abrangência da pesquisa

Para realizar a pesquisa, os cientistas reuniram 90.536 registros encontrados em 700 fontes publicadas entre 1504 e 2023. A base inclui informações de todos os países da Bacia Amazônica e de 156 línguas indígenas. O levantamento identificou pelo menos 5.796 espécies de plantas nativas usadas pelas populações da região, número que corresponde a mais de um terço das plantas com sementes conhecidas na Amazônia.

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Usos registrados: medicina e alimentação em destaque

Entre os usos registrados estão produção de alimentos, remédios, ferramentas, materiais para moradias, combustíveis, roupas e itens ligados a cerimônias e tradições culturais. As plantas medicinais aparecem com destaque: os pesquisadores encontraram 3.862 espécies usadas para tratamentos de saúde, mais que o dobro das 1.804 espécies ligadas à alimentação.

Palmeiras e conhecimento indígena

Palmeiras estão entre as plantas mais citadas no levantamento, como a pupunha, o patauá, o buriti e o açaí-do-amazonas, espécies que têm importância para a segurança alimentar e para práticas culturais de diferentes comunidades. As populações indígenas concentram a maior parte desse conhecimento. Segundo o estudo, elas registraram usos para 4.305 espécies, quatro vezes mais que os grupos não indígenas incluídos na análise.

Vulnerabilidade do conhecimento tradicional

Boa parte dessas informações também é restrita a uma única cultura. Cerca de 74% dos usos registrados aparecem associados a somente um povo, o que torna esse conhecimento especialmente vulnerável. A perda de espécies e línguas pode representar um colapso irreversível para a biodiversidade cultural e biológica da Amazônia.

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