Mais de 50 organizações ambientalistas entregaram nesta terça-feira (29) aos pré-candidatos à Presidência um documento com propostas para colocar a crise climática no centro do debate eleitoral de 2026. O texto, intitulado "Agenda Clima nas Urnas", reúne medidas concretas para redução de emissões, proteção da Amazônia e transição energética.
Eixo principal: compromissos mensuráveis
O documento exige que os candidatos assumam compromissos quantificáveis, como zerar o desmatamento ilegal até 2030 e reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2035. "Não aceitaremos promessas vagas. Queremos metas com prazos e indicadores", afirmou a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, uma das signatárias.
Pressão sobre os debates
Os ambientalistas também propõem que os debates presidenciais incluam um bloco exclusivo sobre mudanças climáticas. "O clima não pode ser um tema marginal. Ele afeta a economia, a saúde e a segurança alimentar", disse Suely Araújo, do Observatório do Clima. Segundo pesquisa interna dos grupos, 73% dos eleitores consideram a pauta ambiental relevante na escolha do voto.
Transição energética e justiça social
Entre as propostas, destaca-se a criação de um programa nacional de energia solar para comunidades de baixa renda e a proibição de novos financiamentos para projetos de petróleo e gás na Amazônia. O texto também pede a criação de um fundo para adaptação de cidades vulneráveis a eventos extremos, como enchentes e secas.
Reação dos pré-candidatos
Até o momento, apenas dois pré-candidatos responderam formalmente ao documento. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brasil precisa "liderar a agenda climática mundial", enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que "a transição deve ser feita sem prejudicar o agronegócio". Outros candidatos prometeram analisar as propostas nos próximos dias.
Próximos passos
Os ambientalistas prometem monitorar os planos de governo e divulgar um boletim de avaliação durante a campanha. "Vamos cobrar de todos, independentemente de partido", afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. O objetivo é que a crise climática seja um fator decisivo nas urnas em 2026.



