Estudo sugere que Terra pode escapar de ser engolida pelo Sol
Terra pode escapar de ser engolida pelo Sol, diz estudo

Um novo estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics sugere que a Terra pode escapar de ser engolida pelo Sol quando a estrela chegar ao fim de sua vida, dentro de aproximadamente 5 bilhões de anos. De acordo com os modelos, a perda de massa do Sol durante sua fase de gigante vermelha pode afastar a órbita terrestre o suficiente para evitar que o planeta seja consumido pela expansão solar.

Mecanismo de escape orbital

À medida que o Sol envelhece e se transforma em uma gigante vermelha, ele perderá cerca de 30% de sua massa atual. Essa perda reduzirá a força gravitacional exercida sobre a Terra, fazendo com que a órbita do planeta se expanda. Os pesquisadores calcularam que, se a perda de massa for suficientemente rápida e intensa, a Terra poderia se deslocar para uma órbita mais distante, escapando da zona de engolfamento.

“A Terra pode não ser engolida pelo Sol, mas isso não significa que o planeta continuará habitável”, explicou o principal autor do estudo, Dr. Ricardo Silva, do Instituto de Astrofísica. “Muito antes de o Sol se tornar uma gigante vermelha, o aumento da luminosidade solar já terá evaporado os oceanos e tornado a superfície inabitável.”

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Destino de Mercúrio e Vênus

Enquanto a Terra pode ter uma chance de sobrevivência, Mercúrio e Vênus não terão a mesma sorte. Os modelos indicam que esses planetas, por estarem mais próximos do Sol, serão inevitavelmente engolidos pela expansão da estrela. O estudo detalha que a órbita de Mercúrio, por exemplo, não conseguirá se ajustar a tempo para evitar a colisão com a gigante vermelha.

“Mercúrio e Vênus estão em uma região onde a perda de massa solar não é suficiente para afastá-los a uma distância segura”, afirmou o Dr. Silva. “Eles serão consumidos pela estrela em expansão, tornando-se parte do Sol.”

Implicações para a vida na Terra

Embora a Terra possa escapar fisicamente de ser engolida, as condições para a vida serão insustentáveis muito antes. A luminosidade do Sol aumenta cerca de 1% a cada 100 milhões de anos. Em aproximadamente 1 bilhão de anos, o aumento da radiação solar já terá evaporado os oceanos da Terra, transformando o planeta em um deserto árido. Portanto, mesmo que a órbita se expanda, a vida como conhecemos não sobreviverá.

“O estudo é interessante do ponto de vista dinâmico, mas para a humanidade o prazo de 5 bilhões de anos é irrelevante”, comentou a astrônoma Dra. Maria Oliveira, da Universidade de São Paulo, que não participou da pesquisa. “O que importa é que, em escalas de tempo muito menores, a Terra se tornará inabitável devido ao aquecimento solar.”

O futuro do sistema solar

O destino final do sistema solar, segundo os modelos, será um Sol transformado em uma anã branca, cercado pelos remanescentes de planetas como a Terra, que poderá continuar orbitando a estrela morta. O estudo fornece uma nova perspectiva sobre a evolução de sistemas planetários ao redor de estrelas como o Sol.

“Compreender como planetas podem sobreviver à fase de gigante vermelha é crucial para entender a habitabilidade de exoplanetas em sistemas estelares semelhantes”, concluiu o Dr. Silva.

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