Guerra na Ucrânia: sinais de mudança no quinto ano de conflito
Guerra na Ucrânia: sinais de mudança no quinto ano

Guerra na Ucrânia: sinais de mudança no quinto ano de conflito

A guerra na Ucrânia entrou em seu quinto verão sem a ruptura que muitos previram e sem o desfecho que Vladimir Putin prometeu. O conflito continua sangrento e aberto. As posições seguem travadas. Ainda assim, acontecimentos recentes sugerem que certas premissas que pareciam sólidas há um ou dois anos já não se sustentam com a mesma facilidade.

Os drones que alcançaram instalações estratégicas em São Petersburgo durante o principal fórum econômico da Rússia não alteraram o curso da guerra nem representam uma ameaça existencial ao Kremlin. Mas foram um golpe moral. Durante boa parte do conflito, Moscou preservou cuidadosamente a impressão de que a guerra ocorria em algum lugar distante, confinada às estepes do Donbas e às cidades devastadas da Ucrânia. Essa separação tornou-se mais difícil. Refinarias, bases militares, centros industriais e infraestruturas críticas passaram a integrar uma lista crescente de alvos ao alcance de Kiev.

O episódio coincide com uma sucessão de resultados decepcionantes para a ofensiva russa. Moscou ainda colhe avanços em setores pontuais do front. Mas há uma diferença na relação entre custo e resultado. Após anos de combates, centenas de milhares de baixas e gastos militares gigantescos, os ganhos territoriais recentes foram modestos. Em alguns trechos da linha de contato, forças ucranianas recuperam terreno. Nada disso prefigura uma virada decisiva. Mas sugere que a superioridade russa produz retornos cada vez menores.

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Essa transformação tem menos relação com heroísmo ou vontade política do que com adaptação. A guerra que Putin imaginou em 2022 foi travada com colunas blindadas, artilharia pesada e superioridade numérica. A guerra de 2026 é outra coisa. Drones vigiam estradas, depósitos, centros logísticos e posições avançadas. Movimentar tropas tornou-se mais difícil. Concentrar forças tornou-se mais arriscado. O campo de batalha adquiriu uma transparência inédita.

Em vez de apostar tudo em contraofensivas espetaculares e custosas, a Ucrânia passou a concentrar esforços na degradação gradual da capacidade russa. Refinarias são atingidas; cadeias logísticas sofrem interrupções; fábricas militares e depósitos mostram-se vulneráveis. Não é uma estratégia que promete reconquistas rápidas nem imagens triunfais. O objetivo é elevar continuamente o preço da guerra para Moscou.

Seria imprudente extrapolar demais esses sinais. A Rússia continua sendo uma potência militar formidável. Sua indústria de defesa expandiu-se. A produção de drones, mísseis e munições permanece elevada. Os ataques contra cidades ucranianas continuam devastadores. Moscou conserva recursos humanos, econômicos e territoriais muito superiores aos de seu adversário.

A Ucrânia sofre limitações severas. O desgaste demográfico é profundo. A mobilização tornou-se mais difícil. A dependência de ajuda externa ainda é elevada, sobretudo em sistemas de defesa aérea. Quem observa apenas os sucessos recentes corre o risco de ignorar o tamanho do desafio que Kiev ainda enfrenta. O país está bem longe das portas da vitória.

Mas a guerra também deve ser avaliada por seus efeitos políticos e estratégicos. A invasão foi lançada com objetivos que transcendiam a conquista de território. Putin pretendia recolocar a Rússia no centro da política europeia, reafirmar sua esfera de influência e comprovar a fragilidade do Ocidente. Quatro anos depois, o quadro é mais ambivalente. A Europa ampliou investimentos em defesa, assumiu parcela maior do apoio à Ucrânia e passou a enxergar o país não só como beneficiário de assistência, mas como parceiro estratégico. Ao mesmo tempo, a dependência russa em relação à China aumentou, enquanto antigos vizinhos observam Moscou com cautela crescente.

Ainda não há desfecho à vista. A guerra continua longa, cara e, sobretudo, imprevisível. Mas algo sutil mudou. Durante muito tempo, a principal aposta do Kremlin parecia razoável. Bastaria resistir por mais tempo do que a Ucrânia e seus aliados. Os meses recentes não demoliram essa hipótese. Mas a tornaram menos convincente. A guerra permanece perigosamente indefinida. Sua trajetória, contudo, já não parece obedecer ao roteiro que Moscou imaginava seguir.

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