Guerra na Ucrânia: mortalidade materna sobe 33% e partos ocorrem em abrigos
Guerra na Ucrânia eleva mortalidade materna em 33%

A guerra na Ucrânia transformou a gravidez em um desafio extremo para milhares de mulheres. Dados compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a mortalidade materna aumentou mais de um terço desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. O número de nascimentos caiu drasticamente, enquanto estruturas médicas foram destruídas ou danificadas, forçando partos a ocorrerem em condições precárias, como subsolos e abrigos antiaéreos.

Estresse e medo agravam riscos gestacionais

O estresse constante causado pelos bombardeios, apagões e pela ansiedade materna tem contribuído para o aumento de abortos espontâneos e partos prematuros. Iryna Kostiuchenko, uma paramédica que deu à luz em um abrigo subterrâneo transformado em maternidade em Sumy, descreveu a experiência como 'aterrorizante'. 'Você ouve as explosões e só espera que o bebê não venha naquele momento', relatou.

Segundo a OMS, a taxa de mortalidade materna na Ucrânia subiu de 23 por 100 mil nascidos vivos em 2021 para mais de 30 por 100 mil em 2024. O número de nascimentos caiu cerca de 30% no mesmo período, reflexo da migração em massa e da redução da fertilidade.

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Infraestrutura de saúde sob ataque

Mais de 200 instalações de saúde materno-infantil foram danificadas ou destruídas desde o início da guerra, de acordo com o Ministério da Saúde ucraniano. Muitas maternidades foram realocadas para porões ou estações de metrô, onde falta equipamentos básicos, como incubadoras e oxigênio. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, uma maternidade subterrânea atende até 50 partos por mês, com iluminação gerada por geradores e água armazenada em tanques.

Mulheres grávidas que vivem em zonas de combate enfrentam dificuldades adicionais. 'Tivemos que viajar 12 horas para chegar a um hospital seguro, passando por postos de controle e estradas destruídas', contou Olena, 28 anos, que deu à luz em Lviv após fugir de Donetsk.

Impacto psicológico e consequências de longo prazo

O estresse tóxico durante a gestação está associado a maiores riscos de hipertensão, diabetes gestacional e problemas de desenvolvimento fetal. Psicólogos ucranianos relatam aumento de casos de depressão pós-parto e transtorno de estresse pós-traumático entre puérperas. 'Muitas mulheres não conseguem amamentar devido ao estresse crônico', explicou a Dra. Oksana, chefe de obstetrícia em um hospital de Kiev.

A OMS alerta que o aumento da mortalidade materna pode ter efeitos duradouros, mesmo após o fim do conflito, devido à destruição do sistema de saúde e ao êxodo de profissionais. A agência estima que cerca de 500 mil mulheres grávidas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

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