O principal general dos EUA na Europa, Alexus Grynkewich, enviou uma notificação por escrito ao Pentágono na qual alerta que pode ser forçado a priorizar a defesa do "território nacional" dos Estados Unidos em detrimento de Israel, devido à falta de forças navais suficientes. A informação é de uma reportagem do The Washington Post, que aponta a guerra contra o Irã como causa da sobrecarga das Forças Armadas americanas.
Grynkewich é chefe do Comando Europeu dos EUA e exerce o cargo de Comandante Supremo Aliado na Europa desde 2025. Na sua avaliação, a escassez de meios navais pode comprometer a capacidade de proteger Israel e, ao mesmo tempo, garantir a defesa do território americano e dos aliados da Otan.
Defesa de Israel em risco
De acordo com o The Washington Post, a notificação do general é um alerta formal sobre os limites operacionais da Marinha americana. Os navios posicionados no Mar Mediterrâneo, sob coordenação do Comando Europeu, são responsáveis há anos pela defesa de Israel. Com a retomada dos ataques diários contra o Irã após o fim da trégua, essas embarcações ficaram sobrecarregadas.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que a comunicação de Grynkewich segue a mesma linha de outros comandantes americanos, que disputam entre si recursos e armas limitados. A competição interna por equipamentos militares reflete o esgotamento dos estoques, especialmente de munições e sistemas de defesa essenciais.
Bloqueio no Estreito de Ormuz
A Marinha americana está especialmente sobrecarregada porque precisa bloquear portos iranianos em retaliação ao fechamento do Estreito de Ormuz. Essa operação no Oriente Médio teria consumido grande parte dos arsenais, dificultando a reposição de armas necessárias para outras missões, segundo o The Washington Post.
A situação é agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que mantém o Comando Europeu em estado de alerta permanente. Os mesmos navios que defendem Israel também precisam responder a qualquer ameaça à aliança militar da Otan, o que cria um dilema estratégico para os Estados Unidos.
Reavaliação da presença militar na Europa
Em paralelo, os EUA reavaliam a presença militar na Europa, conforme noticiado recentemente. A discussão ocorre em meio à necessidade de redistribuir forças e equipamentos para o Oriente Médio, mas sem deixar desprotegidos os aliados europeus diante do risco de expansão do conflito com a Rússia.
O Pentágono também mudou a forma de divulgar baixas da guerra com o Irã, dificultando a contagem de mortos. A medida gerou críticas e aumenta a desconfiança sobre a transparência do governo americano em relação aos custos humanos do conflito.
Busca por acordo
Em meio à escalada, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA e Israel adiarão novos ataques ao Irã em busca de um acordo. A declaração foi divulgada em um momento de intensa pressão militar e diplomática, mas não há detalhes sobre as condições de uma eventual negociação.
Nem o Pentágono, nem o Comando Europeu dos EUA, nem a Embaixada de Israel em Washington comentaram a reportagem do The Washington Post. O silêncio oficial contrasta com a gravidade do alerta feito pelo general e aumenta as especulações sobre a real capacidade dos EUA de sustentar múltiplas frentes de combate simultaneamente.
O caso expõe os limites do poder militar americano diante de um cenário global cada vez mais fragmentado, com conflitos ativos no Oriente Médio, na Europa Oriental e a necessidade de manter presença em outras regiões estratégicas. A disputa interna por recursos reflete um momento em que os Estados Unidos precisam equilibrar compromissos globais com a segurança doméstica.



