EUA e Irã trocam ataques e Trump ameaça nova ofensiva
EUA e Irã trocam ataques; Trump ameaça nova ofensiva

Os Estados Unidos e o Irã realizaram ataques aéreos nesta quinta-feira, intensificando o conflito que já dura meses. O presidente Donald Trump ameaçou lançar novas ofensivas caso Teerã não aceite imediatamente um acordo de paz. No entanto, fontes iranianas indicaram que as negociações para um entendimento preliminar se intensificaram nos bastidores.

Negociações em meio aos bombardeios

Três fontes iranianas e uma autoridade europeia afirmaram que os EUA e o Irã trocam mensagens sobre os detalhes de um memorando de entendimento, após um acordo político ter sido alcançado. Ainda há questões pendentes, como o mecanismo para liberar bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior. "Esta guerra, do ponto de vista militar, é um beco sem saída. Os norte-americanos não conseguiram atingir seus objetivos atacando o Irã. Houve progresso nas negociações", disse uma das fontes iranianas. Trump tem repetido que um acordo está próximo, mas autoridades americanas não comentaram o andamento mais recente das conversas indiretas.

Retaliação e escalada

O conflito já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e elevou os preços globais do petróleo desde que os EUA e Israel lançaram ataques aéreos intensos contra o Irã em 28 de fevereiro. As hostilidades se intensificaram nesta semana, apesar de um frágil cessar-fogo acordado em abril. A escalada ocorreu após a derrubada de um helicóptero Apache norte-americano perto do Estreito de Ormuz, na segunda-feira. As Forças Armadas dos EUA afirmaram que seus últimos ataques tiveram como alvo "capacidades de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea em todo o Irã", em resposta à "agressão injustificada e contínua" de Teerã.

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O regime iraniano respondeu com bombardeios contra Bahrein, Kuwait e Jordânia, países aliados dos Estados Unidos. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse ter lançado contra-ataques contra 18 alvos militares dos EUA em bases aéreas no Kuwait e no Bahrein, além da Quinta Frota da Marinha dos EUA no Bahrein. Também atacou a base aérea de al-Azraq, na Jordânia, pela segunda noite consecutiva, com 12 mísseis balísticos. O Ministério do Interior do Bahrein informou que uma menina de 11 anos sofreu ferimentos leves devido à queda de destroços de drones iranianos interceptados. O Kuwait fechou brevemente seu espaço aéreo após o ataque.

Fundo congelado e exigências

Trump afirmou que Teerã demorou demais para negociar. As fontes destacaram a necessidade de um acordo sobre a liberação das receitas do petróleo iraniano congeladas em bancos estrangeiros. "O Irã quer que US$ 6 bilhões a US$ 12 bilhões de seus fundos congelados sejam liberados para Teerã, enquanto Washington quer liberar os fundos em etapas para bens humanitários e rejeita categoricamente a devolução dos fundos ao Irã", disse uma fonte iraniana à Reuters. A prioridade para a cúpula clerical do Irã não é um acordo abrangente, mas uma estrutura que restaure espaço de manobra, desbloqueando ativos e suspendendo a guerra. As exigências de Teerã incluem o fim dos ataques israelenses no Líbano, o levantamento das sanções e o reconhecimento de seu controle sobre o Estreito de Ormuz.

Trump exige que o Irã acabe com as restrições à navegação no estreito e que qualquer acordo de paz garanta que o Irã não desenvolva armas nucleares. O Irã nega ambições nucleares. O conflito tornou-se um problema político para a Casa Branca, com pesquisas mostrando queda na aprovação de Trump devido aos altos preços da gasolina. Republicanos temem perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato.

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Estreito de Ormuz e bloqueio

O alto comando militar conjunto do Irã advertiu que abriria fogo contra qualquer embarcação que tentasse passar pelo Estreito de Ormuz, rota vital de petróleo e gás natural liquefeito que está praticamente fechada há meses. A mídia iraniana informou que dois navios dos EUA foram alvejados. O Comando Central dos EUA negou que o estreito estivesse fechado ou que navios tivessem sido atingidos, afirmando que navios comerciais ainda transitavam apesar das ameaças. Os EUA mantêm seu próprio bloqueio aos portos iranianos. Na quarta-feira, dispararam contra uma embarcação no Golfo de Omã que transportava petróleo do Irã. Autoridades indianas confirmaram a morte de três marinheiros indianos em uma operação militar dos EUA para interceptar um petroleiro ao largo de Omã. Agências iranianas relataram explosões em várias cidades, incluindo Sirik, Kargan, Bandar Abbas, Minab e Karaj, além de Varamin. Cinco pessoas ficaram feridas.