Os Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques contra o Irã na noite de sexta-feira, 10 de julho, em resposta ao fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã, que interrompeu o tráfego de petroleiros e elevou os preços globais do petróleo em mais de 15%.
Detalhes dos ataques e alvos
De acordo com o Pentágono, os ataques aéreos atingiram instalações militares da Guarda Revolucionária Iraniana em três províncias do sul do país, incluindo bases de lançamento de mísseis antinavio e sistemas de radar costeiros. “Os alvos foram selecionados para degradar a capacidade do Irã de impedir a navegação internacional no Estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Departamento de Defesa, John Kirby, em comunicado oficial.
Fontes do governo iraniano confirmaram que pelo menos 12 soldados morreram e 30 ficaram feridos nos bombardeios. A televisão estatal iraniana mostrou imagens de edifícios destruídos e equipes de resgate trabalhando nos escombros.
Contexto do fechamento do Estreito de Ormuz
O fechamento do Estreito de Ormuz ocorreu na quinta-feira, 9 de julho, quando o Irã bloqueou a passagem com minas navais e ameaçou atacar qualquer navio que tentasse cruzar a rota. A ação foi uma represália às sanções econômicas impostas pelos EUA e pela União Europeia contra o programa nuclear iraniano. Cerca de 20% do petróleo mundial transita pelo estreito, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.
O presidente dos EUA, Joe Biden, classificou o bloqueio como “um ato de guerra econômica” e autorizou os ataques como medida de autodefesa. “Não permitiremos que um único país controle o destino energético do mundo”, declarou Biden em pronunciamento à nação.
Impactos econômicos globais
O preço do barril de petróleo Brent saltou de US$ 78 para US$ 90,70 após o anúncio do fechamento, o maior aumento diário desde 1990. A Bolsa de Valores de Nova York registrou queda de 4,5% no índice S&P 500, com perdas concentradas em ações de companhias aéreas e transportadoras. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que os estoques estratégicos dos países membros podem durar apenas 30 dias se o bloqueio persistir.
Reações internacionais e riscos de escalada
A China e a Rússia condenaram os ataques dos EUA e pediram moderação. O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para sábado, 11 de julho. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “profunda preocupação com o risco de um conflito regional de grandes proporções”.
Analistas militares apontam que o Irã pode retaliar atacando bases americanas no Iraque ou no Afeganistão, ou utilizando mísseis de longo alcance contra Israel. “Estamos à beira de uma guerra no Oriente Médio”, avaliou o professor de relações internacionais da Universidade de Harvard, Stephen Walt.
Posição do governo iraniano
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, classificou os ataques como “uma violação flagrante do direito internacional” e prometeu “uma resposta firme e proporcional”. Ele reiterou que o estreito permanecerá fechado até que as sanções sejam suspensas. “O povo iraniano não se curvará à agressão estrangeira”, afirmou Zarif em entrevista coletiva.



