Brasileiro na Ucrânia alerta: guerra não é solução para vício em apostas
Brasileiro na Ucrânia alerta: guerra não é solução

O brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, que trocou o litoral paulista pelo front de batalha na Ucrânia após perder R$ 340 mil em apostas on-line, fez um apelo enfático diante da repercussão de sua história: a guerra não é caminho para superar vícios ou ganhar dinheiro. Em entrevista ao g1, ele afirmou que deseja voltar para casa e não quer servir de inspiração para outros sem treinamento militar.

Alerta contra a idealização da guerra

“Não quero ser motivação para as pessoas (sem treinamento) virem para a guerra. Aqui não é a solução para vocês”, disse Moita. “Se pudesse ir embora agora, neste exato momento, com certeza iria, mas não posso. Não quero mais participar da guerra.” Ele cumpre contrato de três anos com o Exército Ucraniano e só pode solicitar rescisão após seis meses de serviço, aguardando aprovação do batalhão.

Morador de Iguape (SP), Moita tomou a decisão de se alistar “sem pensar”. Embora a participação na guerra tenha ajudado a vencer a ludopatia — vício em jogos de azar classificado pela OMS como transtorno mental —, ele enfatiza que pessoas viciadas devem buscar ajuda profissional especializada.

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Desabafo na madrugada e repercussão

Em relato gravado durante a madrugada na Ucrânia, Moita disse ter ficado surpreso com a repercussão e recebeu centenas de mensagens de pessoas sem treinamento militar que enfrentam o vício e pensam em seguir o mesmo caminho. “Olhando para trás, tenho pena de mim mesmo. Não quero isso para ninguém. É preciso buscar outra forma de sair dessa. A minha forma foi vir para cá, mas agora que estou aqui... Posso morrer a qualquer momento. Estou aqui, mas a qualquer momento pode cair uma bomba”, afirmou.

Ele se diz curado do vício desde janeiro deste ano e não aposta mais. No entanto, destaca a necessidade de suporte profissional: “Procure um psicólogo e tenha uma 'babá financeira'. Deixe suas contas com quem sentir confiança. Mas, sinceramente, do fundo do coração, aqui não é solução para você vencer vícios em jogos”, concluiu.

Vida antes da guerra

Natural do Rio de Janeiro, Moita cresceu em São Gonçalo. Em 2022, mudou-se para Iguape após obter a guarda do filho, onde trabalhou com vendas de eletrônicos e como motorista de aplicativo. Todo o dinheiro conquistado foi consumido pelo vício em plataformas virtuais de apostas. O ápice ocorreu quando perdeu R$ 75 mil em um único dia.

A decisão de mudar veio após uma psicóloga revelar indícios de ludopatia. “Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: 'Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?'”, relatou. Para frear os gastos, chegou a pedir que o pai confiscasse seu celular.

Decisão e rotina na Ucrânia

Com família de militares, Moita ingressou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março deste ano. A atitude não foi bem recebida por parte dos parentes, mas ele afirma que o desafio mudou sua percepção sobre o dinheiro. Na farda, carrega a tarja “BadBoy”, apelido de infância em São Gonçalo. A rotina inclui missões de uma semana a 40 dias e treinamentos diários de 12 horas para manuseio de armas, minas e explosivos.

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