O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou nesta quinta-feira, 9, ter concluído a nova ofensiva contra o Irã, iniciada na quarta-feira, 8. A operação militar teve como objetivo declarado reduzir a capacidade iraniana de atacar navios no Estreito de Ormuz.
Detalhes da ofensiva
Em comunicado, as forças americanas disseram que aproximadamente 90 alvos militares foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea, recursos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística militar na costa do Irã. Na véspera, as forças americanas já haviam atingido 80 alvos militares no Irã.
“As forças dos EUA permanecem vigilantes, letais e preparadas para executar operações determinadas pelo comandante-em-chefe”, afirmou o Centcom.
Reação do Irã
O presidente do Parlamento do Irã e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz será reaberto apenas de acordo com as condições definidas pelo regime iraniano, e não sob ameaças dos Estados Unidos. “A América ainda não aprendeu que o bullying e a quebra de promessas não são mais sem custo. Vou ser claro: batam, e vocês vão apanhar”, disse Ghalibaf, em publicação no X, nesta quinta-feira, 9.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou ter realizado ataques contra bases dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, uma hora após a ofensiva americana. Em comunicado, a Guarda afirmou que a ofensiva é parte de uma “primeira fase” do que chamou de “resposta punitiva contra os violadores do acordo [provisório de paz]”. “Os Estados Unidos, quebrando alianças e violando todos os seus compromissos, atacaram mais uma vez diversas partes das províncias costeiras do sul do Irã”, diz o comunicado. “Os guerreiros do Islã não deixarão impunes as violações do exército americano assassino de crianças.” A Guarda ainda prometeu expandir as “respostas esmagadoras” para “outras bases americanas na região” caso os EUA voltem a atacar o país.
Impacto no Estreito de Ormuz
Segundo a Bloomberg, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisado na quinta-feira, depois que os EUA atacaram o Irã pelo segundo dia consecutivo, enquanto a frágil trégua entre os dois lados parecia cada vez mais instável. Os movimentos observáveis no canal de energia mais vital do mundo ocorreram principalmente ao longo de uma rota aprovada pelo Irã, mais próxima ao norte da hidrovia, enquanto o corredor omanita, apoiado pelos EUA, permaneceu tranquilo, segundo dados de rastreamento de navios.
Preços do petróleo
Por volta das 8h00, desta quinta-feira (9), os preços do petróleo tinham alta pouco superior a 1%, após uma queda durante a madrugada. O WTI sobe 1,06%, a US$ 74,28, e o Brent avança 1,12%, a US$ 78,87. “O mercado está novamente sendo forçado a precificar o risco de que novos ataques à navegação, ou uma ruptura mais ampla nas relações EUA-Irã, possam retardar a normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz”, segundo Saxo, em análise publicada pela CNBC.
(Com Estadão Conteúdo, Bloomberg e CNBC)



