A gestão econômica de Donald Trump foi caracterizada por uma combinação de choques externos e medidas internas que geraram crescimento no curto prazo, mas deixaram um legado de estagnação e fragilidade. Entre 2017 e 2020, os Estados Unidos experimentaram um ciclo de expansão impulsionado por cortes de impostos e desregulamentação, interrompido abruptamente pela pandemia de Covid-19. O resultado foi um aumento expressivo da dívida pública e da desigualdade, enquanto a recuperação pós-pandemia mostrou sinais de desaceleração.
Cortes de impostos e estímulo inicial
A principal medida econômica de Trump foi a reforma tributária de 2017, que reduziu a alíquota do imposto corporativo de 35% para 21%, além de cortes temporários no imposto de renda pessoa física. Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), a reforma adicionou cerca de US$ 1,5 trilhão ao déficit fiscal em dez anos. O PIB dos EUA cresceu 2,9% em 2018, impulsionado pelo investimento empresarial, mas o efeito se dissipou rapidamente. Em 2019, o crescimento caiu para 2,3%, e a dívida pública ultrapassou US$ 22 trilhões.
Guerras comerciais e choques tarifários
Outra marca da era Trump foi a imposição de tarifas sobre produtos chineses e aliados comerciais, desencadeando uma guerra comercial que afetou cadeias globais. As tarifas sobre aço e alumínio, por exemplo, elevaram custos para indústrias americanas. A taxa de desemprego atingiu mínimas históricas de 3,5% em 2019, mas isso foi principalmente reflexo do ciclo econômico anterior, segundo o Federal Reserve. O comércio exterior encolheu, e a incerteza levou a uma queda no investimento fixo.
Pandemia e estímulos massivos
A crise sanitária de 2020 mergulhou a economia em recessão. O PIB contraiu 3,4% no ano, e o desemprego saltou para 14,8% em abril. Trump respondeu com pacotes de estímulo fiscal de mais de US$ 3 trilhões, incluindo cheques diretos a famílias e auxílio a empresas. Embora tenham evitado uma depressão, essas medidas elevaram a dívida pública para US$ 27 trilhões. A inflação começou a subir em 2021, ultrapassando 5% no final do governo.
Legado de estagnação e desigualdade
Na avaliação de especialistas, a economia de Trump foi marcada por volatilidade. "A política econômica de Trump foi um coquetel de curto prazo com consequências de longo prazo", afirmou o economista Nouriel Roubini em entrevista à revista Foreign Policy. "O crescimento foi real, mas insustentável, alimentado por déficits e bolhas de ativos." Dados do Bureau of Economic Analysis mostram que a renda média das famílias cresceu apenas 1,2% entre 2016 e 2020, enquanto a participação dos 1% mais ricos aumentou.
Sinais de desaceleração pós-pandemia
Em 2021, o PIB dos EUA cresceu 5,7% impulsionado pela reabertura, mas a inflação elevada e os gargalos de oferta já indicavam estagnação. Os indicadores de investimento produtivo não retornaram aos níveis pré-pandemia, e a produtividade caiu 0,5% no quarto trimestre de 2021. A dívida pública atingiu 107% do PIB, e o déficit orçamentário permaneceu elevado. "Trump entrega uma economia com crescimento mais lento, mais desigual e mais endividada", concluiu o Center for American Progress em relatório de 2022.



