Trump ameaça França com tarifa de 100% sobre vinhos se imposto digital não for removido
Trump ameaça França com tarifa de 100% sobre vinhos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu um alerta direto à França: a menos que Paris elimine o imposto digital sobre as gigantes de tecnologia americanas, Washington não hesitará em impor tarifas de 100% sobre os vinhos franceses. A declaração foi feita em entrevista exclusiva ao jornal The New York Post, publicada neste domingo.

Ultimato antes do G7

Na entrevista, Trump afirmou ter pedido pessoalmente ao presidente francês Emmanuel Macron que abandonasse a taxa de 3% cobrada sobre empresas do Vale do Silício. Caso contrário, a indústria vinícola francesa sofrerá barreiras severas no mercado americano, que atualmente representa um quinto das vendas globais do setor, movimentando mais de US$ 2 bilhões por ano.

"Pedi a ele que não cobrasse das empresas americanas, e se o fizerem, não terei outra escolha senão impor uma tarifa de 100% sobre todos os champanhes e vinhos provenientes da França", disse Trump ao The New York Post. "Tudo o que [Macron] precisa fazer é eliminar o imposto sobre vendas, e ele não teria esse tipo de pressão."

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O ultimato prepara o terreno para um confronto acirrado na cúpula do G7, que começa nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França. O encontro reúne as sete maiores democracias do mundo (EUA, França, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido) para discutir regras globais de comércio, segurança e economia.

O imposto GAFAM e a disputa diplomática

As declarações de Trump desmentem informações do Palácio do Eliseu. Na semana passada, o gabinete de Macron afirmou que as duas nações haviam resolvido discretamente a longa disputa sobre a taxação de tecnologia. Uma fonte próxima ao presidente francês chegou a dizer a jornalistas que o tema "não estava mais em debate", informação que um funcionário do governo americano classificou como "imprecisa".

O imposto sobre serviços digitais da França, conhecido como GAFAM, está em vigor desde 2019 e estabelece uma taxa de 3% sobre a receita local de empresas como Alphabet (controladora do Google), Amazon, Meta e Apple. Por incidir sobre a receita bruta e não sobre os lucros, a medida afeta severamente as companhias americanas. No ano passado, arrecadou cerca de US$ 700 milhões, segundo dados do Ministério das Finanças francês obtidos pelo The New York Post.

Em outubro, a pressão aumentou quando a Assembleia Nacional francesa votou por dobrar o imposto para 6%, mirando exclusivamente as maiores empresas globais, embora a medida tenha sido vetada por ministros posteriormente. O então Ministro da Economia da França, Roland Lescure, já havia alertado que um imposto "desproporcional" provocaria represálias "desproporcionais" dos EUA.

Retaliação e histórico de pressões

A retaliação agora ganha força com a retomada da proposta de tarifa de 100% formulada originalmente pelo Representante Comercial dos EUA em 2019. Ao ser procurado pelo The New York Post, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, limitou-se a indicar um memorando presidencial de fevereiro de 2025, que afirma que empresas americanas não irão mais "sustentar economias estrangeiras falidas por meio de multas e impostos exorbitantes". O documento determinou que o Departamento do Tesouro e o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, avaliem a reabertura de uma investigação formal sobre a taxa francesa.

Esta não é a primeira vez que a indústria de bebidas da França entra na mira do presidente americano como instrumento de pressão política. Em janeiro de 2026, Trump já havia ameaçado aplicar uma tarifa ainda maior, de 200%, sobre os vinhos e champanhes franceses. Na ocasião, a estratégia buscava forçar Macron a aderir ao "Conselho da Paz", uma iniciativa proposta por Washington para atuar em conflitos mundiais, como a guerra em Gaza, mas que Paris sinalizava recusar.

Paralelamente, o cerco regulatório e fiscal da Europa contra o Vale do Silício tem se intensificado globalmente nos últimos anos. Órgãos reguladores do continente vêm aplicando multas bilionárias e abrindo investigações contra empresas como Google, Apple, Meta, Microsoft e TikTok, sob acusações que envolvem violação de leis de mercados digitais, regras de privacidade, segurança de dados e práticas antitruste.

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