Tarifas dos EUA sobre Brasil podem aumentar dependência da China
Tarifas dos EUA sobre Brasil podem aumentar dependência da China

Em audiência realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), foi discutido o impacto de tarifas sobre produtos brasileiros. A conclusão é que a substituição de importações brasileiras por produtos nacionais americanos pode, paradoxalmente, aumentar a dependência dos EUA da China, já que o país asiático seria a principal alternativa em muitos setores.

Riscos da substituição de produtos brasileiros

Segundo representantes da indústria presentes na audiência, a cadeia produtiva americana está fortemente interligada com a brasileira em áreas como máquinas e equipamentos. A diretora da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) explicou que a indústria brasileira é complementar à americana, ou seja, os produtos brasileiros preenchem lacunas que a produção doméstica dos EUA não consegue atender de forma eficiente. Caso as tarifas sejam impostas, a China surge como a única fornecedora capaz de substituir o Brasil em larga escala, o que contraria os objetivos de Washington de reduzir a dependência de Pequim.

Proposta de negociações setoriais

Roberto Azevêdo, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), sugeriu que as negociações sejam feitas setor por setor, em vez de uma abordagem ampla. "É preciso identificar onde há maior complementaridade e onde tarifas causariam mais danos à economia americana", afirmou. A complexidade técnica das discussões trouxe certo otimismo entre os participantes, mas o resultado final permanece incerto.

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Impactos econômicos e incertezas

O Brasil é um dos maiores fornecedores de máquinas e equipamentos para os EUA, e a imposição de tarifas poderia elevar custos para a indústria americana, além de prejudicar a competitividade. A audiência do USTR é parte de um processo de revisão de tarifas que pode afetar bilhões de dólares em comércio bilateral. Enquanto isso, representantes brasileiros buscam demonstrar que a parceria comercial com os EUA é estratégica e que medidas protecionistas podem ter efeitos colaterais não desejados.

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