O índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) registrou queda de 1,2% em junho na comparação com maio, marcando o segundo mês consecutivo de recuo. O indicador, que acompanha as cotações internacionais de uma cesta de alimentos, atingiu 118,4 pontos no mês passado, ante 119,8 pontos em maio.
Cereais e óleos vegetais puxam queda
Os preços dos cereais caíram 2,8% no período, influenciados principalmente pela redução nas cotações do trigo e do milho. As perspectivas de safras abundantes no hemisfério norte e a concorrência entre exportadores pressionaram os valores. Já os óleos vegetais recuaram 1,5%, com destaque para o óleo de palma e o de soja, devido à oferta sazonal elevada.
Açúcar e carnes sobem
Em contrapartida, o índice de preços do açúcar avançou 2,1%, impulsionado por preocupações com a produção na Índia e na Tailândia. As carnes tiveram alta de 0,8%, com destaque para a carne bovina, sustentada pela demanda firme de importadores asiáticos. Os laticínios ficaram praticamente estáveis, com variação de +0,1%.
Nível ainda elevado
Apesar da queda mensal, o índice de junho é 10% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Em junho do ano passado, o indicador estava em 107,6 pontos. A FAO atribui o nível atual a fatores como custos de insumos, logística e tensões geopolíticas que afetam cadeias de suprimento.
“Os preços dos alimentos permanecem em patamar elevado, o que continua a pressionar a segurança alimentar, especialmente em países importadores líquidos”, afirmou a FAO em comunicado. A organização também destacou que a volatilidade dos mercados de commodities deve persistir no segundo semestre.
Impacto nos consumidores
A desaceleração nos preços internacionais pode aliviar parcialmente a inflação de alimentos em países como o Brasil, que importa trigo e outros grãos. No entanto, especialistas alertam que a alta acumulada nos últimos meses ainda deve se refletir nos preços ao consumidor nos próximos trimestres.



