O mercado de petróleo começou esta quinta-feira (11) com atenção voltada para o relatório mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas rapidamente deslocou o foco para um personagem já familiar aos investidores: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As cotações da commodity oscilaram ao longo da manhã, alternando entre as projeções de oferta e demanda divulgadas pelo cartel e as novas ameaças do republicano contra o Irã, em mais um capítulo da guerra que já se estende por mais de três meses no Oriente Médio.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o barril do Brent negociava próximo à estabilidade, cotado a US$ 93,10, enquanto o WTI registrava leve alta de 0,24%, a US$ 90,25. Horas antes, ambos os contratos apresentavam perdas superiores a 1%, refletindo a incerteza inicial.
Opep reduz projeção para 2026
No relatório mensal divulgado nesta quinta-feira, a Opep reduziu sua estimativa de crescimento da demanda global por petróleo em 2026. A entidade passou a projetar uma expansão de 1 milhão de barris por dia no próximo ano, um corte de 200 mil barris por dia em relação à previsão anterior. Com isso, o consumo mundial deverá atingir 106,13 milhões de barris diários.
Para 2027, no entanto, o cartel adotou uma visão mais otimista. A projeção de crescimento da demanda foi elevada em 200 mil barris por dia, para 1,7 milhão de barris diários, levando o consumo global estimado para 107,86 milhões de barris por dia.
O mercado também acompanhou os números de oferta. A Opep manteve sua previsão de crescimento da produção fora da aliança Opep+ em 600 mil barris por dia, tanto para 2026 quanto para 2027. Segundo o relatório, Brasil, Estados Unidos, Canadá e Argentina devem liderar a expansão da oferta nos próximos anos. Caso as projeções se confirmem, a produção dos países fora da Opep+ alcançará 54,83 milhões de barris por dia em 2026 e 55,45 milhões em 2027.
Guerra segue ditando o ritmo dos preços
Apesar da relevância dos números divulgados pela Opep, a reação inicial do mercado foi limitada. Os contratos chegaram a ampliar as perdas após o relatório, mas mudaram de direção quando Trump afirmou que os Estados Unidos lançariam um ataque “muito duro” contra o Irã ainda nesta quinta-feira. A declaração foi publicada na Truth Social e rapidamente recolocou o risco geopolítico no centro das atenções.
Em sua mensagem, Trump disse: “Os Estados Unidos vão atingir o Irã (cuja Marinha, Força Aérea, radares, sistemas antiaéreos e todas as demais formas de defesa, juntamente com grande parte de sua capacidade ofensiva, JÁ FORAM ELIMINADOS!) COM MUITA FORÇA ESTA NOITE. Em algum momento, em um futuro não muito distante, assumiremos o controle da Ilha de Kharg e de outras infraestruturas petrolíferas, passando a controlar totalmente seus mercados de petróleo e gás, da mesma forma que fizemos com a Venezuela, o que tem funcionado de maneira brilhante tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos da América. Obrigado pela atenção a este assunto! Presidente DONALD J. TRUMP”.
Pouco depois, porém, o presidente americano afirmou em entrevista à Fox News que as conversas com Teerã continuam em andamento, mesmo diante da perspectiva de novas ofensivas militares. O resultado foi mais uma rodada de volatilidade nos contratos.
A sucessão de mensagens contraditórias ajuda a explicar o comportamento errático do “ouro negro” nas últimas semanas. A cada sinal de avanço diplomático, os preços recuam. Quando surgem novos ataques ou ameaças, o prêmio de risco volta a ser incorporado às cotações.
O trunfo iraniano continua sendo Ormuz
Embora os Estados Unidos tenham informado que concluíram os ataques mais recentes contra alvos iranianos, o mercado ainda trabalha com um elevado grau de incerteza. Teerã continua usando o Estreito de Ormuz como principal instrumento de pressão. A passagem marítima concentra aproximadamente um quinto de todo o petróleo transportado no mundo e permanece como um dos pontos mais sensíveis da crise.
Para Jorge Leon, vice-presidente sênior e chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, uma escalada mais ampla do conflito poderia levar o barril a patamares extremos. Segundo o analista, caso Estados Unidos e Irã retomem plenamente as hostilidades, o petróleo poderia alcançar a marca de US$ 150 por barril.
Com informações da Broadcast.



