Os preços do petróleo e do gás natural registraram quedas expressivas nesta sexta-feira, impulsionados pela expectativa de que os Estados Unidos e o Irã estejam próximos de um acordo de paz para encerrar o conflito que tem abalado os mercados globais. O barril do Brent, referência internacional, chegou a cair até 5,1%, atingindo o menor patamar desde os primeiros dias da guerra, em março. Já o gás europeu despencou até 8,4%, refletindo o otimismo dos investidores.
Rascunho de acordo de 14 pontos
As quedas ocorreram após a agência de notícias semioficial iraniana Mehr publicar um rascunho de acordo de 14 pontos, que, segundo a agência, estaria em discussão com os Estados Unidos. Às 8h (horário de Brasília), o WTI apresentava baixa de 3,25%, cotado a US$ 84,86, enquanto o Brent registrava queda de 3,21%, a US$ 87,46.
A minuta do acordo inclui a possível reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, sob acordos com o Irã, além do levantamento das sanções ao petróleo iraniano. O texto, no entanto, ainda precisa da aprovação das autoridades iranianas, conforme a reportagem.
Declarações de Trump
Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo de paz com o Irã poderia ser assinado já no fim de semana, cancelando os ataques previamente anunciados contra o país. Trump disse a repórteres no Salão Oval que a assinatura poderia ocorrer na Europa e que o vice-presidente JD Vance estaria presente. Ele também declarou que o líder supremo do Irã havia concordado com o acordo, embora tenha ressaltado que o pacto ainda não estava finalizado.
Não é a primeira vez que os mercados reagem com otimismo à perspectiva de um fim para o conflito, apenas para verem as esperanças frustradas pela falta de um acordo definitivo. O presidente dos EUA já insistiu diversas vezes que um acordo com o Irã estava ao alcance, mas até agora nada se concretizou.
Queda de mais de 30% desde o auge
Apesar das incertezas, os preços do petróleo caíram mais de 30% desde o pico do conflito. Além das esperanças de paz, o declínio foi acelerado pela busca de alternativas no mercado para contornar o Estreito de Ormuz, considerado o ponto de estrangulamento energético mais importante do mundo. Nas últimas semanas, o aumento do tráfego marítimo através do estreito com os sinais de satélite desligados, a queda nas importações chinesas e o aumento das exportações americanas contribuíram para o equilíbrio do mercado.
“A impressão que fica é que o mercado está apostando cada vez mais que, no fim das contas, ambos os lados têm mais a perder com o fracasso do que com um acordo”, afirmou Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, com sede em Chicago. “Isso não significa que um acordo esteja próximo. Significa apenas que o mercado não vê mais o fracasso como o resultado mais provável.”
Riscos persistentes
Apesar do otimismo, os riscos para a navegação ainda persistem no Estreito de Ormuz. A Fox News noticiou que as forças americanas abateram dois drones de ataque iranianos durante a noite, que aparentemente tinham como alvo embarcações comerciais. O Irã afirmou que a hidrovia seria fechada para todos os tipos de navios após as recentes hostilidades dos EUA, embora tenha havido um aumento no número de embarcações que deixam Ormuz nas últimas semanas.
O mercado segue atento aos próximos capítulos das negociações, que podem definir o rumo dos preços das commodities energéticas nas próximas semanas.



