O membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) Joachim Nagel afirmou nesta segunda-feira que não haverá alívio imediato do aumento da inflação impulsionado pelos preços da energia, mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve. Segundo ele, levará meses para que o abastecimento de petróleo se recupere ao nível pré-guerra.
Acordo entre EUA e Irã
Autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciaram que chegaram a um acordo preliminar para encerrar a guerra e reabrir o estreito, porta de entrada para o transporte de energia. O pacto fez com que os preços do petróleo caíssem. Em março, a zona do euro registrou superávit comercial ajustado de 600 milhões de euros, que subiu para 1,3 bilhão de euros em abril.
Analistas consideram que o Irã foi o maior fracasso externo do governo Trump e que o acordo é a melhor opção possível. A guerra com o Irã foi classificada como um “desastre”, já que não houve nenhum acordo sobre armas nucleares.
Decisões do BCE
Nagel reafirmou que todas as opções — manter as taxas de juros estáveis ou aumentá-las — permanecem em aberto para a próxima reunião de política monetária do BCE, marcada para 22 e 23 de julho. “Não há alívio à vista no futuro próximo”, disse Nagel. “Pelo contrário: mesmo que o Estreito de Ormuz volte a ser navegável em breve, levará meses para que o abastecimento de petróleo retorne ao normal.”
Impacto das medidas governamentais
O BCE elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos na semana passada, na tentativa de conter a inflação antes que o aumento nos custos de energia — decorrente de uma interrupção sem precedentes no abastecimento ligada à guerra no Irã — se espalhe ainda mais pela economia da zona do euro. Nagel alertou que deve ser esperado outro aumento da inflação quando as medidas governamentais para limitar as altas dos preços da energia expirarem. Essas medidas, que incluem um desconto no preço do combustível nos postos na Alemanha, reduziram a taxa de inflação na zona do euro em 0,4 ponto percentual em maio, segundo Nagel.



