Crise climática pode reduzir PIB per capita global em até 15%
Crise climática pode reduzir PIB per capita em 15%

Um novo estudo publicado na revista Nature revela que a crise climática pode reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) per capita global em até 15% até o final do século, caso não haja redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa. A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, projeta perdas econômicas substanciais para a maioria dos países, com destaque para as nações tropicais, que devem sofrer os maiores impactos.

Detalhes do estudo

O estudo utilizou modelos climáticos e econômicos para simular os efeitos de diferentes cenários de aquecimento global. No cenário mais pessimista, com aumento de temperatura de 4°C até 2100, o PIB per capita global pode encolher entre 7% e 15%. Já em um cenário de mitigação, com aquecimento limitado a 2°C, as perdas seriam menores, variando de 1% a 5%.

“Os resultados mostram que cada tonelada de carbono emitida gera custos econômicos significativos, especialmente em regiões de baixa latitude”, afirma o principal autor do estudo, o economista climático Leonie Wenz. “As perdas não são uniformes: enquanto alguns países do norte podem até se beneficiar levemente, as nações mais pobres e quentes arcam com o maior fardo.”

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impactos regionais

Os países tropicais, como Brasil, Índia e nações africanas, estão entre os mais vulneráveis. Nessas regiões, a redução do PIB per capita pode ultrapassar 20% em alguns cenários. Já na Europa e na América do Norte, os impactos seriam menores, com quedas de até 5%, em parte devido à capacidade de adaptação e ao menor aquecimento projetado.

O estudo também destaca que os efeitos da crise climática vão além da temperatura: eventos extremos, como secas e inundações, devem reduzir a produtividade agrícola, aumentar os gastos com saúde e danificar infraestruturas, ampliando as perdas econômicas.

Reações e perspectivas

A comunidade científica e econômica já reage ao estudo. O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, comentou: “Estes números reforçam a urgência de ações climáticas. Investir em mitigação hoje é muito mais barato do que arcar com os custos futuros.”

Para o Brasil, as projeções são particularmente preocupantes. O país, que já enfrenta desafios ambientais com o desmatamento na Amazônia, pode ver seu PIB per capita reduzido em até 18% no cenário mais pessimista. A agricultura, um dos pilares da economia brasileira, seria severamente afetada por mudanças nos padrões de chuva e calor extremo.

O estudo reforça a necessidade de políticas ambiciosas de redução de emissões, como as discutidas na COP28. Especialistas defendem que, além de benefícios ambientais, a transição para uma economia de baixo carbono pode gerar empregos e estimular a inovação, minimizando as perdas projetadas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar