Crescimento da China desacelera para 4,3% no 2º trimestre
Crescimento da China desacelera para 4,3%

A economia da China cresceu no ritmo mais lento em mais de três anos no segundo trimestre, ficando aquém das expectativas, com a fraqueza no consumo das famílias ofuscando o desempenho robusto da indústria e das exportações, intensificando as preocupações quanto à sustentabilidade a longo prazo de seu modelo de crescimento.

O Produto Interno Bruto (PIB) de abril a junho cresceu 4,3% sobre o mesmo período do ano anterior, desacelerando em relação aos 5,0% do primeiro trimestre e ficando abaixo do limite inferior da meta anual da China, que varia de 4,5% a 5,0%.

Pressão por estímulos e cautela fiscal

Os dados aumentam a pressão sobre Pequim para adotar mais medidas de estímulo. No entanto, muitos analistas afirmam que uma reunião do Politburo do Partido Comunista, prevista para o final de julho, pode não sinalizar medidas significativas devido às preocupações com o aumento vertiginoso da dívida.

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Economistas argumentam que o maior desafio não é o ritmo do crescimento, mas sua composição. Os dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que as vendas no varejo cresceram 1,0% em junho na comparação anual, enquanto a produção industrial expandiu 5,3% — sugerindo uma dependência esmagadora da demanda global por bens manufaturados em um momento em que parceiros comerciais reclamam dos desequilíbrios da China e a guerra no Irã pesa sobre a economia mundial.

Consumo fraco e crise imobiliária

Jane Hou, que administra uma empresa de importação de produtos europeus no leste da China, diz que sua renda caiu praticamente pela metade desde o início do ano, já que as vendas de sua empresa diminuíram. Um apartamento que ela aluga está vazio há mais de seis meses, reflexo do enorme excesso de oferta de imóveis na China e da prolongada crise imobiliária.

“Além dos gastos necessários com alimentação, economizo no que posso”, disse Hou. “Não comprei nenhuma peça de roupa nos últimos seis meses.”

Meta anual ainda alcançável, mas previsões são reduzidas

Ainda assim, a economia cresceu 4,7% nos seis meses até junho, dentro da meta, reduzindo a urgência por grandes medidas de estímulo. O Morgan Stanley reduziu sua previsão para o ano inteiro de 4,8% para 4,6%.

Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, duvida que o Politburo sinalize um déficit fiscal maior, já que as exportações, por enquanto, continuam fortes.

“O governo parece relutante em gastar recursos fiscais e aumentar a dívida”, disse Zhang. “Há um consenso geral entre as autoridades e pesquisadores de que a China precisa impulsionar a demanda interna. Mas não há consenso sobre como fazer isso.”

Um representante do banco central afirmou que as condições monetárias estão “relativamente frouxas” no momento, mas se comprometeu a apoiar a demanda interna.

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