O clima de Copa do Mundo ofuscou a divulgação do ranking de competitividade do International Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral, mas o editorial do Estadão acertadamente o retomou. Não nos assusta mais que estejamos nas posições de lanterna mundial da competitividade. Falta-nos um plano estratégico de nação ancorado principalmente no pilar da educação. A Coreia do Sul, por exemplo, implementou em 2011 o programa Educação Inteligente, que conduziu o país a posições de liderança no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Hoje, a produtividade coreana é uma das maiores do mundo, com forte investimento em tecnologia, em infraestrutura e com qualidade no capital humano. A Coreia do Sul é uma das maiores exportadoras do mundo (80% do PIB) de produtos de alto valor agregado. Olhando o ranking, igualmente não nos choca mais como nação que tenhamos nossa eficiência governamental na vexatória 69.ª posição, entre 70 economias monitoradas. Nesta Copa da competitividade, há muito tempo só sofremos goleadas.
Propaganda abusiva de bets
O Ministério da Justiça abriu esta semana uma investigação contra a CazéTV por propaganda abusiva de apostas durante a transmissão de partidas da Copa. Já não era sem tempo. O abuso de propagandas de bets vem desde sua legalização, em 2018, e só aumenta. Muito ilustrativa a argumentação do jornalista Casimiro Miguel, nome principal da CazéTV, para justificar as propagandas, em vídeo que circula pelas redes sociais: “É o que mais paga”. Ou seja, quando o dinheiro é grande, a moralidade e a saúde perdem seu valor. Não há mais dúvidas de que as apostas se tornaram um problema social, econômico e sanitário tão grave quanto o cigarro e o álcool. A propaganda ostensiva destes já foi proibida há tempos. É o que precisa acontecer com as bets. E rápido.
Sorte para quem?
As plataformas de apostas encontraram no Brasil as condições perfeitas para lucrar bilhões, impulsionadas pelo endividamento das famílias. O problema não é criminalizar o setor, mas sim a fragilidade da educação financeira dos cidadãos. Não são raros os casos de pessoas que liquidam o próprio patrimônio para financiar apostas que rapidamente se tornam um vício. Esse cenário é agravado por um investimento publicitário massivo na mídia, que mascara a natureza dos jogos de azar sob o rótulo de “sorte”. Embora o governo e o Congresso tenham aprovado regras para o setor, a dinâmica econômica sempre encontra brechas para maximizar lucros. Independentemente de gênero ou classe social, é urgente que a população compreenda uma realidade simples: os jogos foram desenhados para enriquecer as empresas. O verdadeiro progresso continua vindo apenas do trabalho e do esforço diário.
Limite de consciência
Como assinante deste jornal há mais de 30 anos, não poderia deixar de cumprimentar o colega leitor sr. Gilson J. Rasador (Fórum dos Leitores de 23/6). Excelente a carta sobre as famigeradas bets, que contam com o complacente apoio de governantes e, de certo modo, da mídia em geral. Infelizmente, o que vemos a cada instante na TV são anúncios e patrocínios esportivos dessas apostas online, que têm levado famílias à destruição. A ganância se sobrepõe a qualquer limite de consciência.
Vida online: adolescentes influencers
Eca Digital cria corrida de influencers adolescentes por autorização judicial (Estadão, 26/6, A16). Inacreditável a reportagem sobre liminares pedidas em favor de menores de idade influenciadores digitais. Não vejo uma atitude desse nível a fim de melhorar a educação e o ensino desses jovens nas escolas. Por outro lado, decerto muitos desses pais e responsáveis são contrários à redução da maioridade penal no País. Se o Poder Judiciário banalizar a emissão desses alvarás que permitem a menores a publicação de conteúdo monetizado nas redes, um absurdo, que venha seguido de normas e regras, principalmente da língua portuguesa ou inglesa.
Auto-implosão da direita
Se a direita já apresentava uma enorme dificuldade em construir uma candidatura unificada visando às eleições presidenciais, a extrema direita atrapalhada conseguiu sepultar de vez o projeto. O vídeo visceral de Michelle Bolsonaro detonando seu enteado, Flávio, não foi um mero desentendimento familiar que poderia ser resolvido a portas fechadas. Foi um ato político por competição de poder. O interessante é que a esquerda não está precisando fazer a mínima força para prejudicar a direita. A direita está se auto-implodindo sozinha. Coisas do Brasil.
Flávio e Michelle: diferenças normais?
Os Homens São de Marte, as Mulheres São de Vênus mostrou a diferença nos relacionamentos entre homens e mulheres. Portanto, o entrevero entre Flávio Bolsonaro e Michelle não quer dizer nada, porque ambos, de forma diferente, estão sendo emocionalmente testados. O importante é não perderem o foco e continuarem a lutar contra esse Estado corrupto incompetente que hoje nos governa. Em qualquer família normal existem diferenças, mas o importante é que mirem o mesmo objetivo. O resto não passa de fofocas de bastidores.
Código de conduta no STF
Com as últimas declarações do ministro Gilmar Mendes, torna-se urgente a implementação de um código de conduta no Supremo Tribunal Federal.
Desastre fiscal
Tudo indica, segundo prognósticos de especialistas sérios e desvinculados de laços políticos, que o País ruma para um desastre fiscal sem precedentes no próximo ano, quaisquer que sejam os resultados das próximas eleições. Além disso, os postulantes aos cargos insistem em ignorar a amplitude dos reais problemas nacionais, propelidos por ingredientes corruptivos e morais inéditos na história da República, para se concentrarem exclusivamente em projetos pessoais de conquista e manutenção do poder a todo custo. O roubo no INSS e as fraudes financeiras desenvolvidas nos recônditos de bancos esfumaçados, por exemplo, entre outros drones explosivos de hoje, ameaçam a integridade e o funcionamento regular e harmônico dos Três Poderes, posto que, no interior deles, trabalha boa parte dos timoneiros suspeitos e sabotadores em proveito próprio, até agora impunes, que estufam a sociedade consciente com doses maciças de apreensão e incerteza. Deus olhe pelo Brasil!
Terremoto na Venezuela
Um prédio distorcido, com pedaços soltos e pendurados nas bordas, mostra a força descomunal do terremoto que varreu a Venezuela. O país vive uma crise econômica sob o regime de Nicolás Maduro e merece atenção para uma ajuda internacional urgente. O número de vítimas vai aumentar, e a engenharia civil terá de rever conceitos para tentar resolver esse problema nas construções futuras.
Governo e bets: aviso de danos
O governo vai obrigar que propagandas de bets incluam aviso de danos, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ministro, estou perplexo com essa atitude tão radical e tão eficiente. Pronto, está resolvido o problema: ninguém mais vai apostar o que tem e o que não tem. Nada como um ministro inteligente e rápido para resolver um problema tão sério. Quer dizer, sério vou falar eu agora: o governo tornou-se sócio das bets, arrecada uma dinheirama com a desgraça daqueles que o elegeram e agora vem falar em matar o câncer com remédio para dor de cabeça. Brasil, o país da piada pronta, da piada de mau gosto e de um governo de irresponsáveis.
Goleada das propagandas
Nesta Copa, as jogadas dos craques Messi, Cristiano Ronaldo, Vini Jr., Haaland e Lamine Yamal perdem de goleada para as propagandas de bets.
Copa do Mundo e semiparalisação
Continuamos em uma impressionante semiparalisação global na parte ocidental de nosso planeta, em razão da Copa do Mundo, que está sendo realizada na parte superior das Américas. Essa realidade durará mais algum tempo, cujos efeitos, em nosso entorno, só quem viver os dias à nossa frente poderá comprovar.
Trabalho presencial: Itaú revisa modelo híbrido
Itaú revisa modelo híbrido e exigirá 3 dias de trabalho presencial por semana em 2028 (Estadão, 23/6). Em mais uma decisão focada em planilhas, onde o custo de facilities precisa ser justificado pelo uso de headcount, as empresas ignoram o fator social e escancaram a sua falta de consciência. A recente medida do Itaú de forçar o retorno ao presencial mostra que o mercado prefere a ilusão do olho no olho à realidade das entregas. Sob o belo discurso de preservar a cultura corporativa, esconde-se a velha imaturidade de lideranças incapazes de delegar e desapegar. A conta é simples: quem não produz em home office não vai produzir no escritório. A única diferença é que o modelo presencial aceita desaforo, permitindo que o sujeito se camufle perfeitamente atrás de rituais vazios, cafezinhos longos e cirandas políticas. Esse recuo estratégico é o sintoma claro de um apagão de gestão. Nenhuma grande corporação se moveu para de fato treinar suas equipes sobre como produzir mais e melhor no conforto do lar; preferem gastar fortunas com lajes corporativas apenas para manter o funcionário sob vigilância visual. Defender o trabalho remoto exige o esforço maduro de compreender a autonomia e gerenciar a liberdade. Enquanto o topo da pirâmide decidir com base em aparências, calendários e metros quadrados, o mercado continuará trocando a eficiência real pelo velho teatro do controle.
Alan Greenspan: homenagem
Um minuto de silêncio em homenagem ao republicano Alan Greenspan, falecido aos 100 anos, um dos maiores e mais respeitados economistas do mundo em seu tempo, após quase duas décadas, de 1987 a 2006, à frente do Federal Reserve, o banco central dos EUA. Nascido em Nova York, em uma família judaica de origem húngara pelo lado materno, coube a ele contornar algumas crises financeiras e conduzir, com rigor e maestria, a economia do país mais rico do mundo por um longo período de prosperidade econômica, durante os governos de nada menos que quatro presidentes de partidos diferentes. Viva Greenspan!



