Argentina: títulos sobem com novo upgrade de rating da S&P
Argentina: títulos sobem com upgrade de rating da S&P

Os títulos em dólar da Argentina registraram alta expressiva em toda a curva nesta quinta-feira, com os papéis de longo prazo valorizando mais de 2 centavos por dólar, após o país conquistar sua segunda elevação de rating de crédito em menos de dois meses. Os bônus globais com vencimento em 2035, referência da dívida externa argentina, alcançaram 79,4 centavos por dólar, uma alta de 2,9 centavos e máxima histórica desde a emissão em 2020. Já os títulos intermediários, com vencimento em 2030, avançaram mais de 1,2 centavo.

Elevação de rating pela S&P

A S&P Global Ratings elevou a nota soberana da Argentina após o fechamento dos mercados na quarta-feira, citando o desempenho fiscal positivo e outras medidas do governo de Javier Milei para garantir o pagamento da dívida nos próximos anos. O rating subiu de CCC+ para B-, ainda seis degraus abaixo do grau de investimento, com perspectiva estável, segundo comunicado da agência.

Investidores destacaram que a decisão, embora esperada, aproxima a Argentina de recuperar o acesso aos mercados internacionais de capitais. “A Argentina vinha esperando um upgrade antes de voltar a emitir no mercado. Agora que a elevação veio, vamos começar a ouvir mais sobre uma possível emissão, o que seria um passo importante na normalização do país”, afirmou Jeff Grills, chefe de mercados cruzados nos EUA e dívida emergente da Aegon Asset Management.

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Fatores por trás da melhora

No relatório, a S&P apontou a redução das vulnerabilidades econômicas e a melhora da liquidez externa como fatores centrais. “A combinação de superávits fiscais contínuos e acúmulo de reservas internacionais pelo banco central fortaleceu o perfil de liquidez do governo”, escreveram os analistas. A Fitch Ratings já havia elevado a Argentina de CCC para B- em maio.

“Os spreads da dívida soberana argentina devem fechar, podendo cair inicialmente para a faixa de 400 a 450 pontos-base, abrindo uma janela para o país emitir dívida nos mercados internacionais”, disse Daniel Chodos, sócio da corretora Dhalmore Capital.

Políticas de Milei impulsionam confiança

O governo Milei vem conquistando investidores com forte ajuste fiscal, desregulamentação e medidas para normalizar o regime monetário e cambial. O banco central comprou mais de US$ 10 bilhões neste ano, enquanto o governo recorre a fontes locais de financiamento, incluindo emissões de títulos em dólar no mercado doméstico, e a empréstimos de organismos multilaterais para cobrir necessidades de caixa.

O superávit fiscal primário foi mantido, beneficiado pelo forte desempenho das exportações, impulsionadas pelo agronegócio e pelo aumento das vendas externas de energia. Isso ajudou a levar os spreads dos bônus soberanos de volta perto dos menores níveis da era Milei.

Perspectivas e desafios

A Argentina recebeu várias elevações de rating das grandes agências durante o governo Milei, à medida que o presidente recompôs as contas públicas e derrubou a inflação de três dígitos. Fitch e S&P agora classificam o país no mesmo nível, ambas com perspectiva estável. A Moody’s mantém a nota em Caa1, após duas elevações, a última em julho de 2025.

A S&P observou que o país “provavelmente” enfrentará estresse nos próximos 18 meses, com a aproximação da eleição presidencial de 2027 e dúvidas sobre a durabilidade das reformas caso Milei não consiga um novo mandato. Ainda assim, a política econômica atual deve permitir ao governo atravessar a pressão eleitoral e enfrentar os desafios de financiamento.

“A elevação do rating da Argentina aumenta a probabilidade de vermos uma operação de gestão de passivos, o que ajudaria a reforçar as reservas internacionais antes da eleição presidencial do ano que vem”, disse Jared Lou, gestor de portfólio da William Blair.

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