Acordo de paz entre EUA e Irã derruba petróleo e anima mercados
Acordo de paz EUA-Irã derruba petróleo e anima mercados

Após quase quatro meses de conflito, Estados Unidos e Irã chegaram, no domingo, a um acordo preliminar de paz que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. O anúncio derrubou os preços da commodity e impulsionou os mercados internacionais, ao reduzir os temores de interrupções na oferta mundial de energia.

Normalização do fluxo marítimo deve levar tempo

Apesar da reação positiva inicial, analistas avaliam que a normalização do fluxo marítimo deve levar tempo. Com a assinatura formal do memorando de entendimento, prevista para sexta-feira (19), o Irã pretende reabrir o estreito gradualmente, à medida que avança na remoção das minas instaladas na região. A abertura pode levar semanas.

Durante esse período de transição, o país informou que não cobrará taxas de navegação. Ao mesmo tempo, marinhas do Reino Unido e de outros países europeus estão deslocando embarcações para o Mediterrâneo para apoiar as operações de desminagem e acelerar a retomada do tráfego.

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Impacto nos estoques globais de petróleo

Os estoques globais seguem em queda acelerada, com países importadores recorrendo às reservas diante de interrupções sem precedentes no Oriente Médio. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que os estoques globais recuaram cerca de 250 milhões de barris em março e abril combinados, o equivalente a uma redução média de aproximadamente 4 milhões de barris por dia. Com a aproximação do pico da demanda de verão, as restrições de oferta, especialmente a ausência de exportações adicionais da região, podem levar o mercado à chamada “zona vermelha” da AIE até julho ou agosto, nível em que os estoques ficam abaixo do necessário para absorver choques adicionais sem aumento significativo da volatilidade.

Perspectivas econômicas segundo o JPMorgan

Na avaliação do JPMorgan, embora o acordo represente um avanço relevante na redução das tensões geopolíticas, o cenário macroeconômico global deve permanecer incerto no segundo semestre de 2026. O banco mantém como cenário-base uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz, mas acredita que a fragmentação geopolítica continuará elevada, sustentando riscos relevantes para a economia e os mercados.

Mesmo nesse ambiente, o JPMorgan segue construtivo para ativos de risco. O banco avalia que o petróleo pode permanecer elevado por mais tempo, mas sem comprometer a resiliência da economia global, e mantém preferência por ações de crescimento, empresas de grande capitalização e o setor de tecnologia, especialmente nos segmentos ligados à inteligência artificial, semicondutores e data centers. Nos mercados emergentes, o JPMorgan elevou sua recomendação para moedas de países emergentes para overweight (acima da média do mercado), mantendo posição neutra para juros, títulos soberanos e crédito corporativo.

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