Milhares de palestinos invadiram durante a noite de quarta-feira (28) um armazém do Programa Mundial de Alimentos (PMA) na Faixa de Gaza, em busca de comida. A agência da ONU informou nesta quinta-feira (29) que há suspeita de duas mortes e diversos feridos no tumulto. Testemunhas relataram que a multidão retirou todos os suprimentos, incluindo sacos, caixas e até paletes de madeira, e que tiros foram ouvidos em alguns momentos.
A situação humanitária em Gaza é crítica após 18 meses de guerra e um bloqueio total de ajuda internacional por cerca de 11 semanas, imposto por Israel. O bloqueio foi suspenso parcialmente na semana passada, com entregas de suprimentos sob tutela israelense. O PMA tenta confirmar as mortes e feridos no incidente.
Na terça-feira (27), 47 pessoas ficaram feridas durante uma distribuição caótica de ajuda em um centro da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), organização criada com apoio de Israel e dos EUA e criticada pela ONU. A maioria dos feridos foi atingida por tiros do Exército israelense, segundo o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. O Exército israelense reconheceu tiros de advertência, mas negou disparos contra a multidão.
O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, acusou o Hamas de bloquear o acesso ao centro de distribuição e a ONU de unir-se ao grupo. O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, reiterou a rejeição a trabalhar com a GHF e denunciou dificuldades na distribuição de ajuda: dos 800 caminhões aprovados por Israel, menos de 500 chegaram ao lado palestino e apenas 200 foram recebidos pela ONU.
Na frente militar, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Exército matou Mohamed Sinwar, líder do Hamas em Gaza, em um ataque em 13 de maio. Israel intensificou a ofensiva em Gaza desde meados de maio, com o objetivo de acabar com o Hamas e resgatar reféns. Milhares protestaram em Tel Aviv na quarta-feira exigindo um cessar-fogo.



