Marcelly Malta Lisboa, uma das principais lideranças na luta pelos direitos da população travesti e transexual no Rio Grande do Sul e no Brasil, morreu no sábado (4), aos 75 anos. Ela tinha comorbidades e havia estado hospitalizada nos últimos dias. A morte ocorreu em sua casa, em Porto Alegre. O velório foi realizado neste domingo (5) na Casa dos Conselhos, seguido de sepultamento no Cemitério Jardim da Paz, também na capital gaúcha.
Trajetória de luta e pioneirismo
Nascida em 1951, em Mato Leitão, no Vale do Rio Pardo, Marcelly presidiu a Igualdade RS, fundada em 1999, e atuou como vice-presidente da Rede Trans Brasil, criada em 2009. Sua militância marcou gerações. "A partida de Marcelly Malta é um golpe profundo para a Rede Trans Brasil e para toda a história do movimento LGBTQIA+ no país. Marcelly não foi apenas uma liderança; ela foi uma força da natureza, uma pioneira e uma defensora incansável da dignidade, da cidadania e da vida da população travesti e transexual brasileira", lamenta nota da Rede Trans Brasil.
Legado e homenagens
O PT, partido ao qual Marcelly era filiada, também se manifestou. "A melhor homenagem que podemos prestar é seguir defendendo um Brasil em que pessoas travestis e transexuais possam viver com dignidade, respeito e oportunidades. Marcelly Malta, presente!", diz a nota da Secretaria LGBT do PT de Porto Alegre. A entidade destacou que Marcelly foi "a primeira travesti a lecionar sobre direitos humanos para batalhões da Brigada Militar" durante governos do PT no RS.
Em 2021, Marcelly concedeu entrevista ao g1RS, na qual celebrou os 70 anos: "Nossa população, de travestis, a nível nacional, internacional, chega aos 35 anos. Chegar aos 70 anos é um orgulho muito grande. A gente pensa que nunca chegar lá."
Impacto no movimento LGBTQIA+
A Rede Trans Brasil ressaltou que "sua trajetória confunde-se com a própria história da nossa luta, deixando um legado inestimável de coragem, afeto e resistência que jamais será apagado". A nota ainda afirma: "Marcelly nos ensinou que resistir é um ato de amor e de sobrevivência. O Brasil perde uma de suas maiores guerreiras, mas o céu ganha uma estrela que continuará a iluminar nossos caminhos."



