Um forte tremor de terra atingiu a capital da Venezuela, Caracas, e a região de La Guaira nesta segunda-feira, cinco dias após os terremotos devastadores que deixaram quase 1.500 mortos no país. A réplica, considerada a mais intensa registrada desde a tragédia da última quarta-feira, voltou a assustar moradores e agravou o cenário de destruição e desespero.
Detalhes do novo tremor
O novo abalo sísmico ocorreu por volta das 7h30 (horário local) e teve magnitude estimada em 5,8 graus na escala Richter, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O epicentro foi localizado no mar do Caribe, a cerca de 20 quilômetros ao norte de La Guaira, a região mais afetada pelos terremotos anteriores. Moradores relataram pânico nas ruas, com pessoas correndo para áreas abertas e prédios balançando intensamente.
Até o momento, não há relatos oficiais de vítimas fatais ou feridos graves decorrentes desta réplica, mas equipes de resgate continuam a vasculhar escombros em busca de sobreviventes. A Defesa Civil informou que o tremor provocou novos deslizamentos de terra em encostas já fragilizadas, dificultando o acesso a comunidades isoladas.
Impacto na crise humanitária
O novo tremor intensifica a crise humanitária que já se instalava no país. A ajuda internacional, composta principalmente por doações de alimentos, água e medicamentos, ainda é insuficiente para atender a demanda. “A situação é desesperadora. As pessoas estão dormindo nas ruas com medo de novos desabamentos, e os saques a mercados e farmácias se tornaram frequentes”, relatou María González, voluntária da Cruz Vermelha venezuelana.
Segundo dados oficiais, os terremotos da última quarta-feira deixaram 1.487 mortos, mais de 12 mil feridos e cerca de 200 mil desabrigados. O governo venezuelano declarou estado de emergência em sete estados, incluindo Miranda, Vargas e o Distrito Capital, mas a resposta governamental tem sido alvo de críticas pela lentidão e falta de coordenação.
Reações e próximos passos
O presidente Nicolás Maduro, em pronunciamento na televisão estatal, afirmou que “as réplicas são esperadas e estamos mobilizando todos os recursos disponíveis para socorrer a população”. No entanto, a oposição e organizações civis denunciam a falta de transparência na distribuição de ajuda e a ausência de um plano de reconstrução claro.
Especialistas em sismologia alertam que novas réplicas podem ocorrer nas próximas semanas, aumentando o risco de desabamentos e dificultando o trabalho de resgate. A população, por sua vez, vive entre o medo e a esperança de que a ajuda necessária chegue a tempo de salvar vidas.



