Uma família de origem egípcia está retida desde o dia 8 de abril na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, enquanto aguarda a análise de um pedido de refúgio. O casal, formado por Abdallah Montaser e sua esposa grávida, está acompanhado de dois filhos pequenos.
De acordo com o advogado Willian Fernandes, que representa a família, a situação se agravou quando a esposa de Abdallah, que está na 34ª semana de gestação e tem diabetes gestacional, percebeu que o bebê não estava se mexendo. A família solicitou auxílio médico na quinta-feira (23), mas só foi levada ao hospital na sexta-feira (24).
Em um vídeo enviado à imprensa, Abdallah afirmou que eles possuem visto de turista válido, mas não foram autorizados a entrar no Brasil. Ele destacou que um dos filhos tem doença celíaca e intolerância à lactose, e que o impacto psicológico e de saúde na família se tornou extremamente grave.
A defesa sustenta que o caso apresenta indícios de violação humanitária, especialmente diante da condição de saúde da gestante e das crianças. O advogado já solicitou urgência na análise do pedido de refúgio ao governo federal e acionou instituições de proteção aos direitos humanos.
Paulo Illes, diretor do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), classificou o caso como humanitário evidente, afirmando que a manutenção da família em área de restrição por tantos dias é incompatível com os princípios de proteção à dignidade humana. A Polícia Federal foi procurada, mas não se manifestou até o momento.



