O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas declarações contundentes contra o Irã durante a cúpula da aliança militar na Turquia, classificando os líderes iranianos como 'escória' e 'pessoas doentes'. Ele afirmou que, se o Irã tivesse uma arma nuclear, a usaria, e declarou que o cessar-fogo 'acabou'. No entanto, apesar da retórica agressiva, Trump indicou que as negociações entre os dois países podem continuar.
Ameaças e negociações: a dança diplomática de Trump
Trump disse: 'Não quero mais lidar com eles, são escória. Sabe o que é escória? Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes. E são pessoas cruéis e violentas.' Mais tarde, ele reiterou suas ameaças, afirmando que os EUA 'provavelmente os atacarão com mais força novamente esta noite'. Apesar disso, quando questionado se a troca de ataques significava o fim das negociações, Trump respondeu: 'Não me importo, eles podem negociar. Mas acho que estejam perdendo tempo.'
Essas declarações sugerem que, por trás das bravatas, Trump não vê alternativa viável além da mesa de negociações. O processo, no entanto, é frágil. Uma fonte entre os mediadores descreveu os últimos eventos como 'um revés, sem dúvida', e o clima como 'muito tenso'.
O Estreito de Ormuz: o verdadeiro pomo da discórdia
No centro do conflito está o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás. O Irã vê o domínio do estreito como uma ferramenta de pressão econômica mais eficaz do que a capacidade nuclear. Por isso, Teerã não está disposto a abrir mão desse controle, mesmo que isso signifique arriscar um acordo vantajoso com os EUA.
O regime iraniano sente-se encorajado pelo fracasso dos EUA e de Israel em destruí-lo. O funeral do ex-líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro, demonstrou que o regime ainda conta com um núcleo sólido de apoio. A oposição interna, embora existente, foi silenciada pela repressão violenta que matou milhares de manifestantes em janeiro.
Caminho para um acordo: concessões mútuas
Mediadores acreditam que, se a escalada for contida, é possível chegar a um acordo. O pacto incluiria o reconhecimento da autoridade iraniana sobre o Estreito de Ormuz, o desbloqueio de ativos iranianos no exterior e a permissão para o Irã vender petróleo. Em troca, o Irã aceitaria limites ao enriquecimento de urânio, permitiria o retorno de inspetores da ONU e prestaria contas dos estoques de urânio enriquecido, que Trump chama de 'poeira nuclear'.
No entanto, os acontecimentos das últimas 24 horas mostram o quão difícil será alcançar esse acordo. A desconfiança mútua e a determinação do Irã em manter sua influência regional tornam as negociações um caminho estreito e perigoso.



