Tráfego de petroleiros desacelera em Ormuz após ataques entre EUA e Irã
Tráfego de petroleiros desacelera em Ormuz

O tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz registrou uma desaceleração significativa nas últimas 48 horas, após uma série de ataques entre os Estados Unidos e o Irã na região. Dados de rastreamento de navios compilados pela Vortexa indicam que o número de petroleiros que atravessaram o estreito caiu 30% em comparação com a média dos últimos sete dias. A passagem, por onde transita cerca de 20% do petróleo global, é considerada um ponto estratégico vital para o mercado de energia.

Ataques elevam tensão no Golfo Pérsico

Os ataques ocorreram na quarta-feira, quando forças dos EUA alvejaram instalações militares iranianas na costa do Golfo Pérsico, em resposta a um ataque com drones contra um navio americano na semana anterior. O Irã retaliou com mísseis contra navios da coalizão liderada pelos EUA na região, mas sem causar danos significativos. O Pentágono confirmou os ataques e afirmou que a ação foi defensiva. O governo iraniano, por sua vez, classificou a ação como "agressão ilegal" e prometeu responder com força.

Impacto imediato no fluxo de petróleo

O estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, é uma artéria essencial para o transporte de petróleo bruto do Oriente Médio. Segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), cerca de 17 milhões de barris por dia passam pelo local. A desaceleração no tráfego já elevou os preços do petróleo em 4% no mercado internacional, com o barril do Brent sendo negociado a US$ 86. Analistas do Goldman Sachs alertam que uma interrupção prolongada pode levar o preço a US$ 100.

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"Estamos monitorando a situação de perto. Qualquer bloqueio no estreito teria consequências imediatas para a oferta global e para a inflação", disse John Kilduff, sócio da Again Capital, em entrevista à Reuters. "O mercado está nervoso porque não há capacidade ociosa suficiente para compensar uma paralisação total."

Navios buscam rotas alternativas

Algumas companhias de navegação já estão desviando seus petroleiros para rotas mais longas, como o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, o que pode adicionar até duas semanas ao tempo de viagem e aumentar os custos de frete. A empresa de logística marítima Clarksons informou que o número de petroleiros que optaram por essa rota alternativa subiu 15% desde quarta-feira.

O Irã, que já havia ameaçado fechar o estreito em ocasiões anteriores, agora intensifica a retórica. O comandante da Marinha iraniana, almirante Hossein Khanzadi, declarou: "Não toleraremos nenhuma violação de nossa soberania. Se a segurança do Irã for ameaçada, o estreito será fechado." Já os EUA reforçaram sua presença naval na região com a chegada do porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower.

Reações internacionais e perspectivas

A comunidade internacional expressou preocupação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu moderação e diálogo. A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo da região, afirmou que está pronta para aumentar sua produção caso haja escassez, mas analistas duvidam que o país consiga compensar totalmente uma interrupção no estreito.

O presidente dos EUA, Joe Biden, convocou uma reunião de emergência com aliados do Golfo para discutir a segurança marítima. Em pronunciamento, ele afirmou: "Não buscamos conflito com o Irã, mas defenderemos nossos interesses e aliados." O mercado de petróleo continua volátil, e traders aguardam os próximos movimentos militares e diplomáticos.

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