O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou na noite de domingo (14, madrugada de segunda no Oriente Médio) que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz. Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Sharif declarou que "ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano". Ainda segundo o premiê paquistanês, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para o dia 19 de junho, na Suíça.
Trump confirma acordo
O presidente americano Donald Trump já havia dito que a assinatura do acordo de paz estava marcada para este domingo, em uma postagem na rede social Truth Social neste sábado (13). Segundo o americano, o Estreito de Ormuz será aberto imediatamente após a assinatura. Trump afirmou esperar que o processo seja conduzido de forma rápida, fácil e tranquila: "Esperamos trabalhar em conjunto com Irã e todo o Oriente Médio no futuro". O presidente americano também disse que, "no momento apropriado e quando tudo estiver calmo", os EUA irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo.
Detalhes do acordo
Nenhuma das duas partes divulgou oficialmente o conteúdo do novo acordo. No entanto, a imprensa norte-americana e iraniana publicaram alguns pontos com base em fontes dos dois governos.
Segundo a CNN Internacional
A rede de TV CNN Internacional afirmou, com base em fontes do regime iraniano, que o memorando prevê:
- Um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano;
- O Estreito de Ormuz seja reaberto imediatamente, sem cobrança de taxas das embarcações, e o tráfego local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias;
- Os EUA também levantem o bloqueio naval na entrada de Ormuz;
- Sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente;
- O Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear.
Segundo a Reuters
A agência de notícias Reuters ouviu de uma fonte do governo norte-americano que o acordo prevê:
- O Estreito de Ormuz será reaberto;
- O programa nuclear iraniano será desmantelado;
- O Irã não receba dinheiro de seus ativos congelados pelas sanções até que cumpra sua parte.
Segundo a imprensa estatal iraniana
Já a imprensa estatal iraniana divulgou na sexta-feira (12) que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio. A agência de notícias iraniana Mehr diz que o memorando de entendimento deve:
- Suspender as sanções dos EUA contra o Irã;
- Retirar as forças militares norte-americanas das proximidades do país;
- Levantar o bloqueio naval a portos iranianos, com reabertura do Estreito de Ormuz;
- Interromper as hostilidades em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano.
Reações e preparativos
Na manhã de sábado (13), o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif disse que os EUA e o Irã concordaram com os termos para um acordo de paz que encerraria o conflito de meses no Oriente Médio: "Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca", publicou Sharif, postagem compartilhada por Donald Trump. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura de um memorando de paz não será realizada neste domingo: "Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã". Baghaei diz que a possibilidade da assinatura do memorando em Islamabad, capital do Paquistão, nos próximos dias não pode ser descartada, mas que "deve ser cauteloso" ao fazer qualquer comentário sobre a data. Sharif acrescentou que o Paquistão está agora se preparando para uma assinatura eletrônica esperada dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações de nível técnico nas próximas semanas. "Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura", publicou Sharif.
Mudança de tom no Irã
Um alto funcionário do governo americano disse à Reuters acreditar que há um "acordo sólido com o Irã". A perspectiva para o fim da guerra ganhou força após Trump anunciar na quinta (11) que os negociadores chegaram a um consenso. O Irã primeiro afirmou que nada estava fechado ainda, mas mudou de tom horas depois: o chanceler iraniano disse que um acordo de paz "nunca esteve tão próximo".
Trump critica e depois elogia
Na manhã de sexta, Trump chegou a dizer que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa norte-americana são falsos e criticou o Irã por passar informações a veículos de comunicação. Trump também chamou os dirigentes iranianos de "pessoas muito desonrosas para se negociar". "Com eles, não existe negociação de boa-fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!", escreveu Trump em sua rede social Truth Social. Horas depois, no entanto, Trump repostou uma mensagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, na qual Araqchi afirma que um acordo entre seu país e os Estados Unidos "nunca esteve tão perto".
Acordo após bombas
A proximidade de um acordo foi anunciada pelo próprio Trump na quinta-feira (11). Após anunciar uma terceira noite de ataques e dizer que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, Trump cancelou a ofensiva e afirmou que os negociadores chegaram a um consenso sobre "pontos finais" da proposta de paz. Trump disse ainda que um acordo definitivo com Teerã "talvez seja assinado no fim de semana", na Europa, com a presença de seu vice, JD Vance. Trump afirmou que o "memorando de entendimento" já foi aprovado "por todo mundo no Irã", inclusive o líder supremo, e que é um ótimo acordo, "pois o Irã jamais terá uma arma nuclear". Minutos após a fala de Trump, no entanto, o Irã afirmou que ainda não aprovou nenhum acordo. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", afirmou a agência estatal Fars.
Nova escalada de ataques
As indicações de um acordo ocorrem após Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob cessar-fogo. A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar das forças dos EUA durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Após o episódio, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que teria de revidar. Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e disse que a escalada complicou ainda mais as conversas por um acordo de paz, além de tornar o cessar-fogo atualmente em vigor "sem sentido".



