Oriente Médio mantém embarques de petróleo e GNL apesar de ataques no Estreito de Ormuz
Oriente Médio mantém embarques de petróleo e GNL apesar de ataques

Produtores do Oriente Médio continuam embarcando petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mesmo após novos ataques a navios no Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, e a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã nos últimos dias, segundo dados do setor de transporte marítimo.

Volume de transporte cai após ataques, mas retomada é observada

O volume de transporte de energia pelo estreito caiu depois de ataques a um navio de contêineres na quinta-feira e a um petroleiro no sábado. Os episódios provocaram novas retaliações e colocaram em risco o acordo de paz provisório entre Washington e Teerã. No domingo (28), porém, uma autoridade dos Estados Unidos afirmou que os dois países concordaram em interromper as hostilidades e retomar as negociações sobre a via, considerada estratégica para o comércio global.

Superpetroleiros carregam petróleo na Arábia Saudita e Emirados

Na segunda-feira, um quarto superpetroleiro de grande porte (VLCC), com capacidade para transportar 2 milhões de barris, foi flagrado carregando petróleo no terminal de Ras Tanura, na Arábia Saudita, segundo dados da LSEG, empresa de informações financeiras e de mercado. A operação ocorre mesmo após a queda, no domingo (28), de um helicóptero da empresa, que deixou 14 mortos, e cuja causa do acidente ainda é desconhecida.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Outros três superpetroleiros carregaram petróleo e entraram em “modo oculto” após deixar o terminal no fim de semana, segundo os dados. O termo se refere a navios que desligam seus sistemas de rastreamento para reduzir o risco de ataques enquanto navegam pela região. Um desses navios reapareceu na segunda-feira (29), depois de deixar o estreito, e segue agora em direção ao Japão, segundo os dados.

Dois superpetroleiros entraram no estreito no domingo e atracaram em um terminal nos Emirados Árabes Unidos para carregar petróleo bruto, segundo dados da LSEG. A Saudi Aramco se recusou a comentar. A Abu Dhabi National Oil Company informou que, por política interna, não divulga detalhes sobre a localização, os movimentos ou as rotas de suas embarcações.

Irã aumenta exportações de petróleo após alívio de sanções

O Irã também acelerou os embarques de petróleo após os Estados Unidos suspenderem, por 60 dias, as sanções sobre suas exportações. Teerã realizou carregamentos simultâneos em seus dois terminais de exportação na ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, no sábado (27), pela primeira vez em quase uma semana, segundo a empresa de monitoramento marítimo Windward.

Dados da Kpler, empresa de dados sobre fluxo de petróleo, mostram que os superpetroleiros de bandeira iraniana Dan e Hawk entraram no estreito no sábado (27). Ao mesmo tempo, cerca de 8 milhões de barris de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos e do Catar foram transportados em quatro navios do mesmo tipo durante o fim de semana. A Companhia Nacional de Petróleo do Irã não respondeu a pedidos de comentário.

Preços do petróleo sob pressão com aumento das exportações

O aumento das exportações a partir do Golfo — região responsável por cerca de um terço do abastecimento global — está pressionando os preços do petróleo. O Brent, principal referência internacional do preço do petróleo, caiu 10,6% na semana passada, na terceira queda semanal consecutiva, embora os ataques do fim de semana tenham feito as cotações subirem na segunda-feira.

“Se o Estreito continuar operando de forma instável nas próximas semanas e meses, o preço do petróleo está em um nível razoável e com tendência de queda”, afirmou o analista da IG Markets, Tony Sycamore, à Reuters. “No entanto, se houver risco de uma escalada mais ampla do conflito a partir desses episódios de violência do fim de semana, então os preços do petróleo estão baixos demais.”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Catar e Emirados mantêm exportações de gás apesar da tensão

No mercado de gás natural liquefeito (GNL), dois navios-tanque vazios voltaram a aparecer nos dados de rastreamento a oeste do estreito em 26 de junho, após terem desaparecido dos sistemas. Ao mesmo tempo, outros dois navios carregados com GNL deixaram o Estreito de Ormuz. O navio Al Kharaitiyat segue em direção ao Kuwait após carregar no terminal de Ras Laffan, no Catar. Já outra embarcação da QatarEnergy, o Al Kharsaah, aguarda ao largo do país, segundo dados de rastreamento da Kpler.

O navio Mraweh, controlado pela ADNOC, carregou na ilha de Das, nos Emirados Árabes Unidos, em 21 de junho, e deve entregar a carga no terminal de Dahej, na costa oeste da Índia, em 5 de julho, segundo a Kpler. Já o Al Hamla, da QatarEnergy, transporta uma carga embarcada em Ras Laffan em 18 de junho e deve chegar à China em 3 de julho, de acordo com dados da LSEG e da Kpler. A QatarEnergy não respondeu a um pedido de comentário até a última atualização desta reportagem.