Japão propõe adoção de homens para manter sucessão imperial masculina
Japão propõe adoção de homens para sucessão imperial

O Japão enfrenta uma crise de sucessão na família imperial, com a escassez de herdeiros homens, os únicos legalmente aptos ao trono. A situação levou sete partidos, incluindo oposição e governistas, a um consenso para alterar a Lei da Casa Imperial. O projeto prevê a inclusão de homens adotados, a partir de 15 anos, descendentes da linhagem paterna de antigas famílias aristocráticas. A primeira-ministra Sanae Takaichi pretende encaminhar a proposta ao Parlamento em breve.

Projeto de lei e mudanças propostas

O projeto de lei também permite que mulheres da família imperial permaneçam na casa após o casamento, caso desejem, evitando a perda do título. Atualmente, princesas perdem o status ao se casar, o que reduziu a família imperial de 21 para 16 membros desde 1989. A linha masculina de sucessão direta conta apenas com o príncipe herdeiro Fumihito, de 60 anos, e seu filho Hisahito, de 19 anos.

Entre as cinco mulheres solteiras está Aiko, filha do imperador Naruhito, de 24 anos, popular e considerada candidata ideal ao trono. Uma pesquisa do jornal Asahi Shimbun em maio mostrou que 72% dos japoneses apoiam uma herdeira feminina. No entanto, conservadores bloquearam essa solução.

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Posição da primeira-ministra e especialistas

Takaichi, primeira mulher a comandar o Japão, defende a exclusividade masculina: "O fato histórico de que a continuidade imperial foi transmitida por 126 gerações através dos homens é único no mundo e constitui a fonte da autoridade e da legitimidade do imperador", afirmou em abril. Isao Tokoro, especialista em história imperial, comentou no Asahi: "Tenta-se deliberadamente ocultar as verdadeiras intenções, mas os objetivos por trás das mudanças são claramente reconhecíveis, ou seja, manter tudo como é."

Retorno após 80 anos

Onze ramos da família imperial, com 51 membros, perderam status aristocrático em 1947. Atualmente, há dez homens solteiros na linha masculina desses ramos que poderiam ser adotados. O projeto exclui que adotados se tornem imperadores, mas deixa aberto se seus descendentes homens terão direito à sucessão. O presidente da Câmara, Eisuke Mori, indicou que "se nascer um menino, essa criança terá direito ao trono", mas recuou após pressão da oposição.

Risco à aceitação da monarquia

O plano pode comprometer a aceitação da monarquia se cidadãos comuns forem elevados a príncipes. O imperador Naruhito manifestou-se: espera um "resultado das discussões que encontre compreensão da opinião pública". Jornais conservadores também duvidam da reforma e defendem flexibilizar a questão de gênero. Conservadores, no entanto, veem a casa imperial como símbolo da estrutura familiar patriarcal e rejeitam mudanças. Akira Momochi, professor emérito da Universidade Nihon, afirmou: "Há tradições que podem ser alteradas, mas também há aquelas que não devem mudar, e a sucessão exclusivamente masculina e patrilinear é uma delas."

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