O Hamas anunciou a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza por quase duas décadas, em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (6). O chefe do governo ligado ao grupo, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo, abrindo caminho para que um comitê tecnocrático palestino implemente o governo civil no território.
Contexto e motivações
A Faixa de Gaza tem sido administrada pelo grupo terrorista desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
De acordo com Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo Hamas em Gaza, a medida foi tomada 'para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar'.
Em um comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que a medida visa eliminar pretextos para a interferência israelense e reafirmou o compromisso do grupo em transferir todas as responsabilidades de governança em Gaza.
Eleições legislativas convocadas
Na quinta-feira (9), o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, assinou um decreto que convoca eleições legislativas para 28 de novembro. Caso se concretizem, serão as primeiras do tipo em quase duas décadas.
'O decreto presidencial conclama o povo palestino em Jerusalém, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza a participar de eleições legislativas livres e diretas para escolher os membros do Conselho Legislativo Palestino na data estabelecida', informou a agência oficial de notícias Wafa, que cita o texto do decreto.
Ajuda internacional
A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira (13) o lançamento de uma iniciativa com 15 parceiros para destinar 883,6 milhões de euros, o equivalente a US$ 1 bilhão, em ajuda à Faixa de Gaza.
De acordo com comunicado divulgado à imprensa, 12 países europeus e o Japão, além do Banco Mundial e do Banco Europeu de Investimento, fazem parte da 'Iniciativa Equipe Gaza', lançada na reunião do Grupo de Doadores para a Palestina em Bruxelas. O objetivo é apoiar projetos de recuperação inicial, tanto em andamento quanto planejados, para a população de Gaza.
Cessar-fogo e futuro de Gaza
Um acordo de cessar-fogo em Gaza entrou em vigor em 10 de outubro de 2025. A primeira fase dele permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel. A segunda fase, no entanto, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está há meses estagnada.
Israel reforçou sua presença no território e o governo israelense e o Hamas continuam, com frequência, a trocar acusações de violação da trégua. Em meados de junho, facções palestinas reuniram-se com mediadores no Cairo e apresentaram sua proposta para a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza. A proposta apresentada pelo Conselho de Paz liderado pelos EUA inclui mecanismos para o futuro de Gaza, incluindo reconstrução, desarmamento, retirada israelense e implantação de uma força internacional de paz.



