França rebate declarações racistas de ex-premiê espanhol sobre seleção
França rebate declarações racistas de ex-premiê espanhol

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou como 'estupidez, racismo ou uma combinação das duas coisas' as declarações do ex-premiê espanhol Mariano Rajoy sobre a seleção francesa de futebol. Em entrevista às emissoras BFMTV e RMC nesta segunda-feira (13), Barrot afirmou: 'De uma vez por todas, a França não tem cor de pele. Qualquer afirmação em sentido contrário é uma estupidez, racismo ou uma combinação das duas coisas'.

Seleção francesa como símbolo de diversidade

Barrot descreveu a equipe como 'excepcional' e que projeta a imagem de 'um país conquistador, audacioso e ao qual nada nem ninguém resiste'. Ele destacou que a seleção representa 'a melhor imagem da França' e que os franceses apoiam o time 'independentemente de sua origem, da cor de sua pele, do lugar onde vivem ou de sua idade'. O ministro também afirmou que a melhor resposta à polêmica virá dentro de campo: 'Quem dará a melhor resposta serão os jogadores da seleção francesa quando vencerem com clareza esta semifinal', referindo-se ao jogo contra a Espanha nesta terça-feira.

Reação do governo francês e de outras autoridades

As declarações de Barrot ocorreram um dia após o governo francês classificar como 'absolutamente inaceitáveis' e 'absurdas' as palavras de Rajoy. Em coluna publicada pelo jornal El Debate, Rajoy escreveu que a seleção francesa possui 'um nível altíssimo, é verdade, mas sem franceses', após a classificação da Espanha para as semifinais da Copa do Mundo. O atual presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, também condenou a posição de Rajoy.

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Na França, as críticas se multiplicaram. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que essas palavras 'não refletem de forma alguma o que é a França' e defendeu que o país é 'uma república da diversidade', na qual todos devem encontrar seu lugar. A ministra delegada Éléonore Caroit, o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, o líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, a presidente da região de Île-de-France, Valérie Pécresse, e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo, também se manifestaram. Diallo denunciou que as declarações de Rajoy exalam 'um odor de racismo intolerável'.

Composição da seleção e contexto da polêmica

Rajoy escreveu que a seleção francesa joga 'sem franceses'. No entanto, dos 26 jogadores convocados pelo técnico Didier Deschamps, apenas três nasceram fora da França: Michael Olise, Marcus Thuram e Brice Samba. Os demais nasceram em território francês, sendo muitos filhos ou netos de imigrantes. A polêmica reacendeu na França o debate sobre imigração, identidade nacional e racismo no esporte. Ela também ocorre na esteira do escândalo causado por declarações racistas de uma senadora paraguaia contra a estrela francesa Kylian Mbappé.

Reação da Espanha

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, reiterou nesta segunda-feira que a mensagem 'racista e xenófoba' de Rajoy é 'absolutamente inaceitável' e pediu ao seu partido 'que deixe de tentar incendiar, boicotar e sabotar a extraordinária política externa da Espanha'.

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