Gasolina russa cobre só 65% da demanda após ataques ucranianos
Gasolina russa cobre só 65% da demanda após ataques

A produção de gasolina na Rússia cobre atualmente apenas 65% da demanda interna, segundo dados do Ministério de Energia russo divulgados nesta quinta-feira (10). Os ataques de drones ucranianos contra refinarias nas últimas semanas reduziram significativamente a capacidade de processamento do país, elevando o risco de desabastecimento no mercado doméstico.

Queda na produção e impacto no mercado

De acordo com o ministério, a produção diária de gasolina caiu para cerca de 220 mil barris, enquanto a demanda doméstica é de aproximadamente 340 mil barris. O déficit de 35% representa o maior desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022. As refinarias afetadas incluem as de Ryazan, Nizhny Novgorod e Krasnodar, que juntas respondem por cerca de 20% da capacidade total de refino do país.

O vice-ministro de Energia, Pavel Sorokin, afirmou em entrevista coletiva que “a situação é grave, mas estamos trabalhando para redirecionar cargas e aumentar a produção em refinarias não danificadas”. Ele acrescentou que o governo está considerando a proibição temporária de exportações de gasolina para priorizar o abastecimento interno.

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Medidas emergenciais e riscos de desabastecimento

O governo russo já anunciou um pacote de medidas emergenciais, incluindo a liberação de estoques estratégicos e a redução de exigências de mistura de biocombustíveis. No entanto, analistas alertam que as reservas podem durar apenas duas semanas se a produção não se recuperar. A agência de notícias Reuters informou que postos de gasolina em Moscou e São Petersburgo já registram filas e racionamento informal.

“Estamos vendo um cenário de estresse no mercado de combustíveis que não se via desde os anos 1990”, disse Mikhail Krutikhin, analista do Centro de Pesquisa Energética de Moscou. “A Ucrânia claramente mirou nas refinarias para sufocar a economia russa.”

Contexto dos ataques ucranianos

Nas últimas três semanas, a Ucrânia intensificou ataques com drones de longo alcance contra instalações energéticas russas. Pelo menos seis refinarias foram atingidas, algumas delas em operação desde a era soviética. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, justificou os ataques como parte de uma estratégia para “reduzir a capacidade da Rússia de financiar a guerra”.

Em resposta, o Kremlin classificou os ataques como “atos de terrorismo energético” e prometeu retaliar. O porta-voz Dmitry Peskov disse que “a Rússia tomará todas as medidas necessárias para proteger sua infraestrutura crítica e garantir o abastecimento de combustível à população”.

Impacto econômico e perspectivas

A crise da gasolina pode ter efeitos em cascata na economia russa, que já enfrenta sanções ocidentais e inflação elevada. O setor de transportes é particularmente vulnerável, com empresas de logística relatando aumento de custos. A agência de classificação de risco Moody’s estima que o PIB russo pode contrair 0,5% adicional no segundo trimestre devido ao desabastecimento de combustíveis.

Especialistas divergem sobre a capacidade de recuperação rápida. Enquanto o governo afirma que as refinarias danificadas podem ser reparadas em semanas, analistas independentes apontam que a falta de peças de reposição importadas, devido às sanções, pode prolongar o reparo por meses.

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