Um estudo recente aponta que a Europa Ocidental se consolidou como potência na Copa do Mundo ao tornar o futebol amador barato e amplamente acessível. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Zurique, analisou dados de 200 países e concluiu que a infraestrutura de base é o fator determinante para o sucesso no futebol profissional.
O estudo e seus achados
O levantamento, publicado no Journal of Sports Economics, mostra que países com maior número de campos de futebol públicos e de baixo custo por habitante têm desempenho superior em competições internacionais. Segundo os pesquisadores, a Europa Ocidental investe maciçamente em instalações acessíveis desde a infância, o que gera um celeiro de talentos.
“O futebol amador é a base do esporte. Se as crianças não têm onde jogar, o talento não se desenvolve”, afirmou o Dr. Hans Müller, coordenador do estudo. A pesquisa destaca que, na Alemanha, existem mais de 50 mil campos de futebol públicos, muitos deles gratuitos, enquanto no Brasil esse número é inferior a 10 mil para uma população similar.
Comparação com outras regiões
Enquanto a Europa Ocidental prioriza o acesso, outras regiões, como América do Sul e África, enfrentam barreiras econômicas e estruturais. O estudo aponta que o custo médio por hora de uso de um campo de futebol na Europa é de 2 euros, contra 10 reais no Brasil (cerca de 1,80 euro), mas a disponibilidade é muito maior.
Países como França, Inglaterra e Espanha têm políticas públicas que incentivam o esporte amador, com subsídios para clubes locais e manutenção de espaços públicos. Isso resulta em uma taxa de participação de 15% da população no futebol amador, contra 5% no Brasil.
Impacto no desempenho na Copa
A correlação entre acesso ao futebol amador e sucesso na Copa do Mundo é forte. Das 21 edições do torneio, 12 foram vencidas por países europeus, e os últimos quatro campeões (Alemanha, França, Itália e Espanha) têm em comum uma sólida base amadora.
“Não é coincidência. A Europa investe em gramados sintéticos, iluminação e transporte para os campos, garantindo que qualquer criança possa jogar”, explica Müller. O estudo sugere que países emergentes deveriam priorizar o futebol de base em vez de grandes estádios.
Reações e perspectivas
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afirmou que está ciente dos dados e que planeja expandir o programa ‘Campo para Todos’. “Precisamos de mais espaços públicos de qualidade”, disse um porta-voz. A pesquisa serve de alerta para nações que desejam competir em alto nível.



