Milhares de iranianos participaram do primeiro dia do funeral público do ex-líder supremo Ali Khamenei. No principal complexo religioso da capital Teerã, homens de um lado, mulheres de outro. No local, foi possível observar bandeiras da República Islâmica e do grupo terrorista libanês Hezbollah.
Cerimônia com hino, lágrimas e pedidos de vingança
A cerimônia teve hino nacional iraniano, lágrimas, orações e pedidos de vingança: um coro de "morte à América" ecoou. "Todos aqui vieram para vingar o sangue do líder supremo", disse Arash Rahimi, de 40 anos.
Morte e contexto dos ataques
Ali Khamenei foi morto aos 86 anos, em 28 de fevereiro, no primeiro dia de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O funeral está sendo realizado só agora por causa do acordo de cessar-fogo. Junto ao caixão de Ali Khamenei, estão mais quatro caixões de parentes mortos no mesmo bombardeio, que feriu ainda o filho e sucessor dele, Mojtaba Khamenei.
Novo líder ausente e programação do funeral
Desde então, o novo líder ainda não apareceu em público. Nem mesmo nesta sexta-feira (3), quando o velório de Ali Khamenei foi limitado ao alto escalão do regime iraniano e delegações de países alinhados. No total, a despedida vai durar uma semana, passando por cinco cidades, inclusive no vizinho Iraque. As autoridades esperam até 30 milhões de pessoas. Para atingir o número, é oferecido transporte, hospedagem e comida.
Contraste com protestos e repressão
A despedida do líder supremo, que comandou o Irã por 37 anos, mostra apenas um lado da história. O regime tenta projetar uma imagem de resiliência e união em um país cansado e dividido. No início do ano, aconteceu uma das piores ondas de protestos contra o governo. Foi um levante contra a crise econômica e também contra décadas de opressão, censura e violência, sob o regime dos aiatolás. Como em outras ocasiões, a repressão matou milhares de manifestantes.



