A seleção da França tem utilizado, durante a Copa do Mundo de 2026, aviões fretados da Global Crossing Airlines (GlobalX), companhia que desempenha papel central na política de deportações do governo Donald Trump nos Estados Unidos, segundo reportagem publicada pelo The Guardian.
Voos domésticos e conexão com deportações
Imagens divulgadas nas redes sociais pela própria equipe francesa e dados de rastreamento de voos analisados pelo jornal indicam que a seleção utilizou ao menos três voos domésticos da empresa entre partidas do Mundial e sua base em Boston. A mesma companhia teria operado mais da metade dos voos de remoção do ICE, o serviço de imigração dos EUA, em 2024 e 2025.
Segundo a reportagem, o avião usado pela França após a partida contra o Paraguai já realizou 44 voos relacionados a deportações apenas em 2026 e cerca de 950 desde 2022. Dados do grupo ICE Flight Monitor, ligado à organização Human Rights First, mostram ainda que a mesma aeronave transportou imigrantes detidos de um centro de detenção no Arizona para a Louisiana em 1º de julho, apenas três dias antes de levar a delegação francesa.
Contradição com posicionamento político dos jogadores
O caso chama atenção também pelo perfil político de alguns dos principais nomes da seleção. Kylian Mbappé, capitão da equipe e um dos atletas mais vocais da elite do futebol contra a extrema direita francesa, já classificou como “catastrófico” o avanço do partido Reunião Nacional, de viés anti-imigração. Outros jogadores, como Ousmane Dembélé, Jules Koundé e Marcus Thuram, também já se manifestaram publicamente em defesa do voto contra a extrema direita.
Silêncio e outras seleções envolvidas
Nem a GlobalX nem representantes da seleção francesa se manifestaram. Segundo o Guardian, a França não é a única equipe a usar aeronaves da companhia durante o torneio: Inglaterra e Irã também teriam recorrido à empresa para deslocamentos na Copa.



