Um drone marítimo foi utilizado para resgatar dois tripulantes de um helicóptero do Exército dos Estados Unidos que caiu no litoral de Omã, marcando o primeiro caso conhecido de uma embarcação não tripulada em uma missão de salvamento, segundo militares americanos.
Contexto do incidente
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o helicóptero Apache foi abatido pelo Irã próximo ao estreito de Ormuz, região que permanece majoritariamente bloqueada para navegação desde o início do conflito com o Irã. Os dois soldados "foram resgatados com segurança em aproximadamente duas horas e estão em condição estável", informou o Comando Central dos EUA (Centcom).
O drone Corsair
O Centcom confirmou o uso de um drone "Corsair", fabricado por uma empresa texana especializada em drones marítimos. Com 7,3 metros de comprimento, capacidade de carga de 450 kg e velocidade superior a 64 km/h, o equipamento é descrito como similar a um barco de pesca com convés plano. "O Corsair tem aproximadamente o tamanho de um barco de pesca com um convés plano e foi projetado para transportar carga, por isso provavelmente consegue acomodar de três a quatro pessoas", explicou Bryan Clark, especialista em drones marítimos do Hudson Institute.
Clark acrescentou que o drone possui câmera de 360 graus, sistema de radar para navegação de longo alcance e sensor de radiofrequência para captar comunicações e coletar inteligência. Stacie Pettyjohn, especialista militar do Center for a New American Security, destacou que a Marinha dos EUA possui cerca de 50 unidades do Corsair, usadas principalmente para detecção de minas ou vigilância, mas ainda em fase de testes no estreito.
Operação de resgate
Embora o drone possa operar de forma autônoma, especialistas acreditam que no resgate ele foi controlado remotamente por um operador com joystick. "Ele teria sido direcionado para a posição onde eles se encontravam e eles simplesmente subiram a bordo, como fariam ao entrar em um barco no mar", disse Clark. Pettyjohn destacou a vantagem de usar o drone em vez de enviar um navio ou helicóptero, que poderiam ser alvos de tiros. "Embora o resgate não seja a missão principal desse tipo de embarcação, ela claramente é adequada para uma missão 'suja' e perigosa como esta."
Os militares foram recolhidos por volta das 3h30 de terça-feira (horário local) e levados a outro local na água, onde foram içados por um helicóptero, conforme o porta-voz do Centcom, capitão Tim Hawkins.
Uso global de drones marítimos
Os drones marítimos têm sido cada vez mais empregados em conflitos, como na guerra entre Ucrânia e Rússia. A Ucrânia os utiliza carregados com explosivos para atacar navios russos, mas não há registros de uso em resgates. "A maioria das embarcações usadas pela Ucrânia são menores, com tamanho mais parecido com o de um jet ski, e não podem transportar uma pessoa", observou Clark.
Rebeldes houthis do Iêmen e o Irã também operam barcos drones kamikaze, usados para atacar embarcações no estreito de Ormuz. "Os houthis e os iranianos já tinham drones marítimos no passado, mas os ucranianos realmente elevaram isso a outro patamar e mostraram o que outros países poderiam fazer", afirmou Pettyjohn. "Os drones marítimos dos EUA surgiram em grande parte a partir da guerra da Ucrânia e do que eles inovaram."
O drone Corsair é operado pela Força-Tarefa 59, primeira unidade da Marinha dos EUA dedicada a sistemas não tripulados, criada em 2021. Os EUA começaram a usá-lo no Oriente Médio em março, como parte do plano do Pentágono de expandir o uso de drones. A Marinha concedeu ao fabricante um contrato de US$ 392 milhões para produção de embarcações autônomas no ano passado.



