Cúpula da Otan em Ancara com foco na Ucrânia e tensões com Trump
Cúpula da Otan em Ancara: Ucrânia e tensões com Trump

A reunião de cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) teve início nesta terça-feira (7) em Ancara, na Turquia, em um momento de tensões internas e cobranças da Ucrânia por mais apoio militar para conter o avanço russo.

Guerra da Ucrânia domina agenda

Mais uma vez, o conflito na Ucrânia é o principal tema da reunião. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, terá uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um alto funcionário americano, que falou sob condição de anonimato, afirmou: "O presidente se reunirá com ele para falar sobre como podemos pôr fim à guerra. Essa é uma prioridade há muito tempo." Segundo o funcionário, Trump "abordará posteriormente" o tema com o presidente russo, Vladimir Putin.

Na segunda-feira (6), Zelensky reclamou da falta de sistemas de defesa americanos Patriot prometidos pelo Ocidente, após fortes ataques russos a Kiev. A Rússia bombardeou a capital com mísseis e drones, matando 22 pessoas, segundo autoridades locais. Dados da Força Aérea da Ucrânia indicam que o país não conseguiu derrubar nenhum dos 23 mísseis balísticos disparados por Moscou. "É simplesmente absurdo que, no mundo moderno, a produção ainda não tenha sido ampliada para o nível realmente necessário para proteger as pessoas do terror balístico", disse Zelensky em seu pronunciamento noturno em vídeo.

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Sistema Patriot e escassez de defesa

O Patriot é um sistema móvel de mísseis terra-ar desenvolvido pela Raytheon Technologies. É considerado um dos sistemas de defesa aérea mais avançados dos EUA, em operação desde a década de 1980. A Ucrânia enfrenta escassez de interceptores americanos poucos dias após o ataque mais mortal do ano. O sistema foi enviado ao país pelos EUA em 2025, mas seu uso já foi classificado como "uma provocação" pelo governo russo.

Promessas de investimentos e tensões internas

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, prometeu na segunda-feira (6) contratos de "dezenas de bilhões de dólares" para reforçar as capacidades de defesa da aliança. No entanto, a promessa de investimentos bilionários esconde o desconforto que Trump causa a outros líderes. Na última sexta-feira (3), Trump afirmou ser "ridículo" que os EUA continuem com a atual relação com a Otan, que chamou de "unilateral". Em sua rede social Truth Social, escreveu: "É ridículo os EUA continuarem nesse caminho unilateral quando a relação não é recíproca. Eles não estiveram lá por nós!!!" Trump tem pressionado os parceiros a aumentar gastos com defesa e não recuou de suas pretensões de anexação da Groenlândia, pertencente à Dinamarca, outro membro da Otan.

Atritos com aliados

Trump também tem feito ataques constantes à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, desde que afirmou que ela teria "implorado" por uma foto durante a última cúpula do G7, na França, em junho. Meloni desmentiu a fala, dizendo que eram "completamente inventadas". Na segunda-feira, Trump postou uma foto manipulada digitalmente na qual Meloni aparece olhando para ele como se o estivesse adorando, com a legenda: "Ordem de restrição necessária". A premiê não comentou o episódio. Trump também deve se reunir com o presidente interino da Síria, Ahmed al Sharaa, ao longo dos dois dias da cúpula em Ancara.

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