A China afirmou nesta quarta-feira, 8, ter identificado “vulnerabilidades de backdoor” no Claude Code, ferramenta de programação da Anthropic, elevando a tensão na disputa com os EUA pela liderança em inteligência artificial. Segundo o National Vulnerability Database (NVD) da China, plataforma de cibersegurança administrada pelo governo, várias versões do software lançadas entre abril e junho “podem enviar informações sensíveis, como localização e identidade do usuário, para servidores remotos sem consentimento”, em razão de um mecanismo de monitoramento embutido.
Alerta de segurança e recomendações
A agência alertou que o mecanismo pode representar “uma ameaça grave” e recomendou que usuários desinstalem o programa ou atualizem para a versão mais recente. Na semana passada, a gigante chinesa Alibaba informou a funcionários que proibirá o uso do Claude Code no trabalho a partir desta sexta-feira.
Resposta da Anthropic e acusações de destilação
A Anthropic não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a declaração. A empresa americana já afirmou que companhias chinesas, como a Alibaba, não estão habilitadas a acessar o Claude. A movimentação de Pequim ocorre após uma publicação no fórum Reddit, na semana passada, alegar que a Anthropic teria inserido secretamente código no software para identificar usuários que o acessassem a partir da China.
Em resposta, um funcionário da Anthropic escreveu no X que o código fazia parte de um experimento iniciado em março. Segundo ele, a iniciativa buscava “evitar abuso de contas por revendedores não autorizados e proteger contra destilação” – prática em que um novo modelo é treinado a partir das saídas de outro. Desde fevereiro, a Anthropic acusa a Alibaba e outros laboratórios chineses de IA de destilar ilegalmente seus modelos.
Acesso restrito e uso generalizado na China
A China não aprovou os serviços da Anthropic para uso público, e a própria empresa também restringiu o acesso ao Claude no país por motivos de segurança nacional. Ainda assim, o modelo é amplamente usado por pesquisadores e engenheiros chineses por meio de proxies no exterior, muitas vezes subsidiados por seus empregadores.



