O Brasil volta a se entusiasmar com a seleção, reacendendo a alegria e a esperança num país mais correto, unido e confiante, em meio às decepções com os rumos políticos. Ao assistir aos três primeiros jogos do Brasil nesta Copa, o leitor Dirceu Cardoso Gonçalves, de São Paulo, sentiu-se levado de volta a 1958, quando o país conquistou na Suécia seu primeiro título mundial e apresentou ao mundo Pelé, o menino de 17 anos que se tornaria rei do futebol. Ele tinha 11 anos e acompanhou aquela campanha com a emoção de quem via nascer uma nova era. A conquista de 1958, seguida pelos títulos de 1962 e 1970, deu ao país impulso de autoestima. O futebol movimentou bairros, empresas, clubes e famílias, criando times, encontros e sonhos. Depois vieram 1994 e 2002, novas provas de que a seleção eleva o ânimo nacional. Por isso, ao olhar para a seleção de 2026, torce para que esse entusiasmo se repita. Que Carlo Ancelotti conduza nossos jogadores com competência e que o futebol volte a ser alavanca de alegria, união e confiança. O Brasil enfrenta problemas, mas quando o povo reencontra motivos para acreditar, a esperança respira.
Futebol mundializado e a realidade dos negócios
Em seu artigo 'A Copa superlativa', Marco Aurélio Nogueira apresenta a nova realidade do futebol mundial, inserida no contexto dos grandes negócios e dos enormes desafios do planeta. Mas algumas coisas não mudaram ao longo das décadas. Haiti e Escócia apresentaram contra o Brasil um futebol que, no tempo do leitor Francisco Eduardo Britto, de São Paulo, se chamaria de 'perna de pau'. Contra Marrocos, um adversário um pouco mais qualificado, o Brasil penou bem. Assim, em termos de chances do hexa, a conclusão é a mesma: só nos resta aguardar.
Taxa de juros e catastrofismo monetário
O Banco Central do Brasil se equivocou na forma de comunicar sua mais recente decisão de política monetária. A discussão sobre mudanças no horizonte relevante não foi bem recebida, com razão, já que esse artifício não pode ser utilizado para elevar ou reduzir os juros. Como o BC definiu que o horizonte é de seis trimestres à frente, é necessário manter assim. Mas observamos um catastrofismo monetário na opinião de alguns economistas, visto que a análise ia na direção de que a autoridade monetária está perdendo completamente a credibilidade. A conclusão desse episódio não deve ser tão extremista. Estamos diante de um choque de oferta e de demanda sobre os preços. Desde o início de março, a expectativa do Focus para o IPCA no horizonte relevante (final de 2027) subiu 0,36 ponto porcentual (p.p.), para o patamar de 4,15%. Dessa elevação, 0,13 p.p. adveio de alimentos (choque de oferta, em que os juros não impactam) e 0,13 p.p. adveio de serviços (choque de demanda, em que os juros impactam). Bens industriais e preços monitorados vêm em sequência com menor impacto. Ou seja, o cenário é incerto e o mercado está dividido, mas não dá para relacionar a decisão em si como um erro de política monetária, segundo o leitor Guilherme M. Stipp, de Curitiba.
Rodovias em SP: viagem cara
É difícil engolir a notícia sem um misto de indignação e cansaço. A partir da meia-noite de quarta-feira, 1º de julho, descer para o litoral paulista ou subir a serra pelo Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) vai custar ainda mais caro. Com o reajuste de 4,91% homologado pela Agência de Transportes de São Paulo (Artesp), a tarifa básica para carros de passeio salta de R$ 38,70 para R$ 40,60. O SAI consolida, mais uma vez, o posto de pedágio mais caro do Brasil. Olhando friamente, um aumento de R$ 1,90 pode parecer sutil, mas o impacto acumulado na rotina de quem depende da rodovia é gigantesco. Para quem estuda, trabalha ou transporta cargas entre a Baixada Santista e a capital, a sensação é de estar travado num engarrafamento de taxas abusivas. A justificativa padrão, de que o reajuste é anual e contratual, já não conforta ninguém. O SAI é a artéria vital que escoa a riqueza do Porto de Santos e move o turismo regional. Cobrar mais de R$ 40 por esse trecho não pune apenas o turista; encarece o frete, sufoca o pequeno comerciante e penaliza o trabalhador que não tem alternativa de trajeto. Enquanto o asfalto ganha novos preços, o bolso do cidadão segue no prejuízo, escreve Gilberto Pereira Tiriba, de Santos.
Competitividade e a falta de virtude pública
Cada ser cumpre uma função própria no universo. As plantas realizam a fotossíntese e sustentam a vida. Os animais seguem seus instintos. Ao ser humano, no entanto, cabe algo distinto: buscar valores, virtudes e sabedoria. Quando ele deixa de lado essa condição, o desequilíbrio se espalha, tanto na vida individual quanto na coletiva. O editorial 'Brasil na lanterna da competitividade' (Estadão, 26/6, A3) revela as consequências práticas dessa falha. Servidores públicos dos Três Poderes têm usado o aparelho de Estado para ampliar privilégios salariais, ignorando limites legais e morais. Em vez de servir ao interesse público, muitos atuam movidos por ambição pessoal, repetindo o padrão de quem vive apenas em busca de vantagens imediatas. O resultado é visível: baixa produtividade, desperdício de recursos e perda de confiança da sociedade nas instituições. Essa ausência de virtude e responsabilidade pública contribui diretamente para o aumento da desigualdade social. Quando o Estado é capturado por interesses corporativos e privilégios, os recursos que deveriam ser distribuídos de forma justa acabam concentrados em poucos grupos, enquanto a maioria da população permanece sem acesso adequado a serviços públicos de qualidade. Ainda mais grave é o fato de que um Estado ensimesmado, voltado quase exclusivamente aos privilégios de seus próprios servidores, pesa muito mais sobre a sociedade brasileira do que se imagina. Ele asfixia qualquer intento empreendedor, eleva o custo de produção, desestimula o investimento e sufoca a capacidade de geração de riqueza e emprego no setor privado. A lição permanece clara. A condição humana se realiza quando escolhemos ser melhores do que nossos impulsos. Cabe a cada um, especialmente aos que ocupam cargos públicos, lembrar que o papel que viemos cumprir exige mais do que instinto ou conveniência. Se não forem capazes de lembrar por si próprios, deverão ser obrigados pela sociedade, afirma Airton Reis Júnior, de São Paulo.
Mar de lama e a Copa da competitividade
O clima de Copa do Mundo não consegue ofuscar o mar de lama com que nos defrontamos neste momento do País. Todos os Poderes da República, em um combo multipartidário, envolvem cifras de todos os tamanhos, regadas a privilégios indecentes. O resultado está aí: na Copa do Mundo da competitividade, ocupamos a vexatória 65ª posição entre as 70 economias avaliadas no ranking elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral, pois nossos governantes não têm um plano estratégico para o Brasil, mas sim um plano de ação para seu enriquecimento ilícito. Com todo o potencial que temos, será este o legado que deixaremos como nação?, questiona José Eduardo Vaz Guimaraes, de Florianópolis.
Eleições 2026 e a pobreza de ideias
Eu, cidadão brasileiro, que acreditava que o meu país era governado por um sistema de Poderes garantidores do cumprimento da sua Constituição e responsáveis pelo funcionamento de uma democracia, ainda que titubeante, descobri, estupefato, que os pilares sustentadores daqueles Poderes estão bem amarrados entre si por uma teia de instituições financeiras vigaristas e enganosas, formadoras de um caldo de corrupção inédito no mundo, que vem beneficiando, de forma maiúscula e impune, quem teria obrigação de manter os canais vitais da sociedade devidamente higienizados. Deverá a culpabilidade por tal panorama macabro ser atribuída aos eleitores que, por distração inconsciente, quase criminosa, escolheram e ratificaram os atuais venais timoneiros, que estão levando o barco diretamente a colidir com um iceberg visível? Tudo indica que sim. Oxalá surja, com urgência, uma luz guia capaz de orientar os votantes de outubro, escreve Paulo Roberto Gotaç, do Rio de Janeiro.
A pobreza de ideias para o Brasil é a marca registrada dos atuais favoritos à Presidência da República. Em um cenário dominado pelo escândalo Master e pelas ligações corruptas do banqueiro com políticos de todos os espectros, o debate de ideias parece ser a questão menos importante para Lula e Flávio. Lula da Silva, se vencer, completará 16 anos à frente do Executivo. Quais são as ideias para o próximo mandato? Não deu certo no passado, e não há razão para esperar que seja exitoso agora. Sobre Flávio Bolsonaro, sabe-se pouca coisa. Algumas ideias vagas sobre redução de impostos ou ampliação da relação comercial com os Estados Unidos não convencem a priori. O Brasil terá imensos desafios econômicos de longo prazo nos campos da demografia e da Previdência pública, na agenda de elevação da produtividade, na redução do Custo Brasil, no equilíbrio fiscal, entre tantas outras áreas. Nem Lula nem Flávio se mostram preparados para esses desafios. O Brasil precisa de mais, afirma Guilherme M. Stipp, de Curitiba.
Flávio Bolsonaro e a soberania nacional
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência levanta sérios questionamentos sobre seu compromisso com a soberania nacional. Ao buscar apoio dos Estados Unidos para tratar de questões que são de responsabilidade do Estado brasileiro, transmite a imagem de que interesses externos podem se sobrepor à autonomia do País. A recente carta enviada pelo governo americano está longe de ser um troféu. Ela simboliza um constrangimento diplomático. A viagem, apresentada como uma missão em defesa do País, terminou associada a prejuízos econômicos, desgaste internacional e questionamentos sobre a nossa soberania. No fim, quem paga essa conta é o trabalhador brasileiro. Pelo visto, o único produto nacional que essa ala política se recusa a taxar é a própria incoerência. Por isso, digo mais uma vez: ele não!, conclui Gilberto Pereira Tiriba, de Santos.
Dúvida e honestidade na política
Se a final da Copa do Mundo for entre Brasil e Estados Unidos, por quem torcerá a família Bolsonaro?, pergunta Sylvio Belém, de Recife. Ao dizer que o político honesto que o povo procura não está dentro dele, Lula fala a verdade verdadeira sobre todos os políticos no Brasil, além de merecer parabéns, pois poucas vezes ele e os outros falam a verdade. Posso afirmar, sem medo de errar, que poderia chamar a todos, sem distinção, de pilantras, escreve Antonio José Gomes Marques, de São Paulo.
Políticos investigados e desfaçatez
Por que todo político investigado sempre procura desqualificar a peça de acusação, tentando encontrar uma vírgula mal colocada na denúncia, e quase nunca se defende das causas reais da acusação?, indaga Vital Romaneli Penha, de Jacareí. O que assusta no caso Master é a descontração de autoridades flagradas em conluio criminoso com Daniel Vorcaro, registradas em fotos de fanfarrices a preço de ouro, viagens em jatinhos de luxo, hotéis com diárias nababescas e aquisição de apartamentos em prédios de alto padrão, tudo completamente distante da realidade dos brasileiros comuns, que mal têm um teto para chamar de seu. E ainda mais espantoso é como essas autoridades conseguem criar narrativas para explicar que tudo foi feito licitamente, sem nenhum desvio de conduta, com a placidez dos puros de espírito, totalmente isentos do pecado da ganância que o dinheiro público acende. Ou seja: 'é público, então posso me esbaldar'. O caso Master expõe as gargalhadas cínicas dos que roubam o povo sem qualquer sentimento de culpa. É preciso que a indignação seja geral e que esse novo padrão de desfaçatez criminosa seja seriamente avaliado, com publicidade total, para que todos os envolvidos sejam expulsos da vida pública e paguem por seus crimes, afirma Jane Araújo, de Brasília.
Copa do Mundo: inovação brasileira
A Federação Internacional de Futebol (Fifa), na Copa do Mundo de 2026, ainda não utiliza um modelo que o Brasil já pratica com eficiência há algum tempo para evitar que o gandula do time mandante, quando lhe convém, retarde ou acelere a reposição da bola em jogo. Para isso, são colocados, em pontos estratégicos do campo, recipientes de plástico, redondos, semelhantes a pequenos cochos adaptados, cada um contendo uma bola. Dois ficam nas laterais do campo e um próximo a cada baliza, onde atua o goleiro. Dessa forma, evitam-se reclamações do time adversário, pois ambos os contendores passam a ter igualdade de condições quanto à agilidade, ou à lerdeza, na reposição da bola em jogo. Não seria o caso de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) presentear a FIFA com esses recipientes ainda no decorrer da atual Copa do Mundo?, sugere Humberto Schuwartz Soares, de Vila Velha (ES).



