Em meio ao maior terremoto ocorrido na Venezuela em mais de cem anos, o governo brasileiro resgatou neste domingo 13 brasileiros que estavam de passagem pelo país. Eles procuraram a Embaixada do Brasil em Caracas em caráter emergencial, uma vez que o aeroporto comercial da capital venezuelana estava fechado.
Operação de resgate com aeronave da FAB
O transporte foi feito aproveitando a aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que levou ajuda humanitária para socorrer os venezuelanos e que retornaria vazia ao Brasil. A missão de socorro mobilizou uma aeronave cargueira KC-390 Millennium, que transportou uma estrutura completa de hospital de campanha pertencente à Marinha do Brasil.
Além do suporte médico móvel, o avião levou 100 purificadores de água equipados com painéis solares, capazes de filtrar até 5 mil litros de água por dia por unidade, garantindo o abastecimento em áreas com infraestrutura colapsada, de acordo com o governo federal.
Detalhes do terremoto e impacto humano
O terremoto duplo de 7,2 e 7,5 de magnitude foi o maior no país desde 1900. Um terceiro tremor foi sentido na noite de sexta-feira, 26, com 4,7 pontos de magnitude. O número de mortos chegou a 1.423, e há 3.288 feridos, segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez. Cerca de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Uma criança de 11 anos foi resgatada nos escombros, segundo a presidente interina Delcy Rodríguez, que confirmou a informação: 'Esperança'.
Danos econômicos e resposta internacional
Cálculos da ONU estimam que os danos materiais causados pelos tremores na Venezuela chegaram a US$ 6,7 bilhões, o equivalente a 6% do PIB do país. A avaliação preliminar baseia-se em modelos sísmicos, imagens de satélite e dados populacionais. Ela inclui perdas em bens como imóveis, mas não abrange a ampla perturbação econômica causada pelo desastre, afirmou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em comunicado.
Janela de buscas cada vez mais curta
A situação se torna mais desesperadora a cada hora, enquanto moradores escavam os escombros de casas e prédios três dias após os tremores. As autoridades anunciaram que iriam restringir o acesso a La Guaira, epicentro da destruição, à medida que o caos e o trânsito passaram a atrapalhar os trabalhos de busca. Quem quiser entrar agora terá de obter autorização oficial, embora poucos detalhes tenham sido divulgados sobre quem será autorizado a passar.
Diante da escassez de socorristas do governo, venezuelanos passaram a procurar por conta própria parentes desaparecidos. Em várias das áreas mais atingidas, moradores relataram ter visto poucas equipes de resgate estatais, apesar de as autoridades tentarem projetar uma resposta robusta.



