O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, criticou nesta terça-feira a abordagem do governo federal diante da ameaça de um tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em resposta à cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a participação de pré-candidatos em discussões nos EUA, Zema classificou a estratégia como 'paliativa' e defendeu que o tema deveria ser tratado pelo Ministério das Relações Exteriores.
Zema defende solução definitiva para impasse comercial
Segundo Zema, a atual gestão não tem apresentado medidas estruturais para evitar a imposição de tarifas pelos EUA, o que pode prejudicar a economia brasileira. 'O que vemos são soluções paliativas, que não resolvem o problema de fundo. Questões de comércio exterior e relações internacionais são atribuições do Itamaraty, não de negociações improvisadas', afirmou o ex-governador durante evento em Belo Horizonte.
Zema também destacou que o Brasil precisa de uma estratégia de longo prazo para fortalecer sua posição nas negociações comerciais com os EUA, evitando medidas emergenciais que não garantem segurança jurídica aos exportadores. 'Precisamos de uma política clara e definitiva, que mostre maturidade diplomática e proteja nossos interesses', completou.
Flávio Bolsonaro cobra transparência de pré-candidatos
Na última semana, Flávio Bolsonaro questionou a ida de pré-candidatos à Presidência aos Estados Unidos para discutir o tarifaço, sugerindo que eles estariam agindo de forma paralela ao governo. O senador cobrou que esses políticos expliquem suas reuniões e posições sobre o assunto. 'Não se pode negociar com os EUA de forma amadora. É preciso responsabilidade', disse Flávio em postagem nas redes sociais.
A declaração de Zema é uma resposta direta a essa cobrança. O ex-governador reforçou que sua experiência à frente de Minas Gerais, um dos maiores estados exportadores do país, o credencia a debater o tema. 'Não estou fugindo do debate, mas é preciso clareza sobre quem tem a atribuição de negociar', argumentou.
Impacto do tarifaço na economia brasileira
Especialistas alertam que a imposição de tarifas pelos EUA pode afetar setores como siderurgia, agronegócio e manufaturados. Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 35 bilhões, e uma eventual sobretaxa poderia reduzir a competitividade dos produtos nacionais. O governo brasileiro ainda não apresentou uma contraproposta formal, o que aumenta a pressão sobre o Itamaraty.
Zema concluiu que o Brasil precisa de liderança firme nas negociações: 'Não podemos agir como se cada crise fosse resolvida com um improviso. O país precisa de um plano consistente, e o Ministério das Relações Exteriores deve conduzir esse processo com seriedade'.



